Sarkozy reafirma compromisso com missão no Afeganistão

Presidente francês pede para que tropas 'levantem a cabeça' após ataque Taleban que matou dez soldados

Agências internacionais,

20 de agosto de 2008 | 08h05

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitou nesta quarta-feira, 20, o Afeganistão, para demonstrar seu apoio às tropas francesas no país, um dia depois da morte de 10 soldados em território afegão, e se reunir com o presidente Hamid Karzai. Sarkozy afirmou que os soldados franceses devem permanecer no país asiático para lutar contra o terrorismo Insurgentes do Taleban lançaram sua mais ousada ofensiva contra tropas estrangeiras no Afeganistão desde a invasão liderada pelos EUA, em outubro de 2001. Próximo à capital Cabul, cerca de 100 rebeldes mataram 10 soldados franceses e feriram outros 21 numa emboscada. Esse foi o maior número de baixas entre as forças internacionais num único combate em seis anos.  Antes de deixar Cabul, Sarkozy ressaltou que a França segue comprometida com a missão no Afeganistão e confirmou que a missão de seu país em solo afegão irá continuar. "Minha determinação está intacta. A França está determinada a continuar lutando contra o terrorismo pela democracia e liberdade". "A causa é justa, é a honra da França e de seus soldados defendê-la", disse o presidente. Sarkozy visitou o centro de operações da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) nas cercanias da capital afegã, onde foi realizado o velório dos soldados mortos. Posteriormente, visitou ainda no hospital militar 21 soldados feridos na emboscada. Acompanhado por seus ministros de Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e da Defesa, Hervé Morin, Sarkozy fez um discurso diante das tropas francesas e se reuniu com comandantes da Isaf em Cabul, antes de se encontrar com o presidente afegão, Hamid Karzai.  Segundo a BBC, Sarkozy afirmou que a França está comprometida com a guerra contra o terrorismo e confirmou que a missão de seu país em solo afegão irá continuar. "A causa é justa, é a honra da França e de seus soldados defendê-la", disse o presidente em um comunicado. A posição do presidente foi reforçada ainda pelo ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, que garantiu que a morte dos soldados não mudará as políticas do país na região.  Sarkozy se reunir privadamente com o general francês Michel Stollsteiner, e mais tarde com o presidente afegão, Hamid Karzai. "Quero dizer que tenho a responsabilidade, as decisões, sou eu quem as toma e quem deve assumi-las", disse o presidente francês aos soldados. "Quero que fique claro: quando lhes acontece algo, me sinto responsável". O chefe de Estado francês pediu ânimo aos soldados e pediu para que "levantem a cabeça" depois da mortífera emboscada, e que continuem o seu trabalho, definido como "indispensável". No Afeganistão "está em jogo uma parte da liberdade do mundo", e que no país asiático está ocorrendo "o combate contra o terrorismo". Ofensiva Taleban Os dois confrontos demonstram como os insurgentes intensificaram suas ações neste ano, que já é considerado o mais mortífero no Afeganistão desde 2001. Desde o início do ano, 183 militares estrangeiros foram mortos - 99 americanos e 84 de outros países das forças de coalizão. Em 2007, foram registradas 232 mortes. Além de mais numerosos, os atentados dos taleban estão cada vez mais sofisticados e próximos de Cabul. Os radicais têm recorrido a bombas em estradas, ataques suicidas e diferentes tipos de artilharias, agindo em ações coordenadas com vários agressores.  Foi assim no ataque contra os pára-quedistas franceses, integrantes de uma tropa de elite que estava em uma missão de reconhecimento no distrito de Sarobi, 50 quilômetros a leste da capital. Os pára-quedistas foram emboscados na segunda-feira à noite por 100 insurgentes, um número extraordinariamente grande se comparado a ataques anteriores. Nove militares foram mortos imediatamente e o décimo morreu quando seu veículo capotou. O confronto durou horas e, com o apoio aéreo da Otan, 13 militantes foram mortos. A França tem hoje cerca de três mil soldados servindo no Afeganistão, a maioria deles baseada perto da capital. As recentes mortes devem repercutir negativamente junto ao povo francês, já que dois terços da população se opõem a qualquer envolvimento da França no conflito e reforçar a oposição contra o envio de 700 novos soldados ao país até o final de agosto, conforme anunciado pelo governo francês. Recentemente, a França enviou um batalhão adicional com 800 soldados para ajudar a fortalecer a força de paz da Otan na região.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoFrançaTaleban

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.