Sarkozy relança reforma da ONU

Em debate que interessa ao Brasil, França levará à Nova York proposta de ampliação do Conselho de Segurança

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

Duas propostas para a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tema emperrado há dois anos, serão levadas a Nova York pelo governo da França na 63ª sessão da Assembléia Geral da entidade, cujos debates de alto nível terão início amanhã. A primeira, antecipada ao Estado em abril pelo ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, cria uma nova categoria de membros, com mandatos mais longos que os concedidos aos não-permanentes, que poderiam, depois, ocupar assentos definitivos. Em caso de novo impasse, o governo de Nicolas Sarkozy proporá a criação de uma comissão de especialistas para negociar com os países que resistem à proposta. Na semana passada, uma resolução proposta pela Nigéria, e aprovada por unanimidade, determinou que uma rodada de negociações intergovernamentais sobre a reforma terá início em fevereiro de 2009. A estratégia da França é usar a presidência rotativa da União Européia, neste segundo semestre, e trazer o debate para a Assembléia-Geral. Travadas há dois anos, as discussões tiveram início com a proposta apresentada por Alemanha, Brasil, Japão e Índia (G-4), que previa a ampliação do Conselho de Segurança - hoje com 15 membros, 5 permanentes - para 25, dos quais pelo menos 9 seriam permanentes. Desde então, as balanças de interesses regionais emperram alterações na principal instância de decisões da ONU, hoje composta por EUA, China, França, Grã-Bretanha e Rússia como membros permanentes com direito a veto, além de dez membros temporários, sem esse poder. A proposta do G-4 recebe críticas dos governos americano e chinês, além de ataques do grupo União pelo Consenso, conduzido pela Itália e Paquistão. O desafio é imenso. Nem mesmo na União Européia a França consegue consenso sobre a proposta. A Itália não aceita os debates porque a Alemanha tende a ser incluída no conselho. O mesmo jogo de interesses se manifesta no caso da China, contrária ao ingresso do Japão, do Paquistão, inconformado com a eventual escolha da Índia, e da Nigéria em relação à África do Sul. O Brasil, outro candidato, é rejeitado pelo México.Cientistas políticos são céticos sobre as chances da ofensiva diplomática francesa. "Grandes potências que integram o Conselho de Segurança não aceitarão renunciar ao poder gigantesco - em especial, o de veto - de que dispõem", explica Nacer-Eddine Ghozaly, diretor do Master em Estudos Estratégicos da Universidade de Paris-Nord.

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