Sarkozy revolucionou a União Européia

A União Européia (UE) é presidida há seis meses pelo presidente francês Nicolas Sarkozy. A partir de 1º de janeiro, assumirá o presidente da República Checa, Vaclav Klaus. E Sarkozy está triste, porque ele se realizou nesses meses. A Europa era um teatro na medida de seus talentos e agitação. Todo dia, ele tinha de resolver um novo problema. Em Moscou, em Madri, em Praga. Ele voou muito. Apertou a mão de uma porção de ministros. E saiu-se bem. Seus seis meses foram deslumbrantes. Até os socialistas o reconhecem. E agora, aí está Klaus. Eurocético, ao ser eleito ele começou por retirar do palácio da presidência todas as bandeiras européias. É bom que ele se cuide. Sarkozy irá vigiá-lo. Klaus não deve se esquecer que é a "Europa de Sarkozy" que ele presidirá, não a antiga Europa. O francês subverteu de cima a baixo o edifício europeu. Em julho, ele havia recebido uma Europa "supranacional". Todos os Estado tinham os mesmos direitos e deveres e estavam submetidos à Comissão Européia (CE), em Bruxelas. Sarkozy enterrou essa Europa e colocou nos trilhos uma outra, que mais se parece com uma "Europa dos Estados" sonhada pelo general De Gaulle. Um exemplo: a UE tem um Executivo, a CE, cujo presidente é o português Durão Barroso. Sarkozy reduziu esse Barroso a uma sombra. Como? Ele colocou Barroso em todos os seus aviões. E Barroso o seguiu. Lisonjeado, reduzido à sua insignificância. Segunda revolução. Sarkozy não falou com a Europa, essa entidade vaga, mas com Estados. Aos olhos dos fundadores da UE isso é um sacrilégio. Ele também defendeu que a liderança da UE não deve se preocupar muito com os "pequenos", como Grécia e Finlândia, mas sim com os "grandes" (França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e Espanha). É uma Europa viva e brilhante, um pouco caótica, mas "nova" a que saiu da gestão Sarkozy. * Correspondente em Paris

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