Sarkozy sai de cena, mas aliados acreditam na volta

Ex-presidente prometeu deixar a vida pública, mas assessores o colocam como provável adversário de Hollande em 2017

PARIS, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2012 | 03h05

Transformado em ex-presidente da França a partir de hoje, Nicolas Sarkozy prometeu encerrar sua vida pública - mas até seus aliados políticos duvidam das intenções do atual líder da direita. Em silêncio desde que pronunciou seu discurso admitindo a derrota eleitoral, na noite do dia 6, o chefe de Estado deve assumir uma cadeira no Conselho Constitucional, órgão formado por "notáveis" e ex-presidentes da república. Mas, nos corredores de seu partido, seu nome já surge como possível adversário de François Hollande em 2017.

A promessa de abandonar a política em caso de derrota foi feita pela primeira vez em janeiro. "Se eu for batido, deixo a política. Farei outra coisa, que ainda não sei o que é", disse ele. A declaração, segundo jornalistas especializados na cobertura da presidência, era antes de mais nada uma estratégia de campanha que buscava advertir os franceses sobre o risco de perdê-lo da cena política. Com a vitória do Partido Socialista (PS), a frase ganhou dimensão de promessa.

Mas, há cinco dias, Roselyne Bachelot, ministra de seu governo, afirmou à rádio Europe 1 que o presidente não deixará seu partido. "Estou certa de que ele não abandonará a política", afirmou Roselyne. "Ele nos disse: 'Eu quero fazer política de outra forma, no meu lugar. Não os deixarei, eu os ajudarei, eu estarei com vocês'.", descreveu. "Nicolas Sarkozy deixando a política? Nem em sonho."

Na União por um Movimento Popular (UMP), seu partido, a disputa pela liderança neste momento está polarizada entre o atual secretário-geral, Jean-François Coppé, e o primeiro-ministro demissionário, François Fillon. Nos bastidores, especula-se que Sarkozy vá se retirar de cena, observando o governo de Hollande e seus sucessores à direita. Nos próximos cinco anos, deve organizar um novo escritório de advocacia - se a atividade for compatível com o Conselho Constitucional - e seguir de perto a vida política do partido. E, em 2017, se a conjuntura política lhe for favorável, ele poderia se candidatar.

Enquanto isso, Sarkozy vai se beneficiar das vantagens concedidas aos ex-chefes de Estado, como aposentadoria de € 6 mil mensais, apartamento funcional mobiliado e equipado, dois policiais para sua segurança pessoal, um automóvel e dois motoristas, além de sete outros funcionários. Se aceitar o cargo no Conselho Constitucional, receberá mais € 11,5 mil mensais.

Já a primeira-dama Carla Bruni-Sarkozy deve retomar sua carreira de cantora. Um novo disco já estaria sendo preparado.

Entre os atuais ministros, 24 deles já estão em campanha para as eleições legislativas de junho, que definirão a formação do Parlamento e a nova bancada de oposição. / A.N.

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