EFE
EFE

Sarkozy será julgado por financiamento irregular de campanha

Defesa de ex-presidente francês anunciou que recorrerá da decisão; ele é acusado de ocultar cerca de 15 milhões de euros de despesas que deveriam ter constado em suas contas

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2017 | 14h48

PARIS - O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, irá a julgamento pelo suposto financiamento irregular da campanha que o levou ao Palácio do Eliseu, conhecido como "caso Bygmalion". O juiz que instrui a investigação sobre as despesas do candidato conservador à reeleição considerou que Sarkozy deve comparecer ao tribunal ao lado de outros 13 acusados, afirmou nesta terça-feira, 7, à rádio France Info.

Um dos magistrados que instrui o caso determinou que há elementos suficientes para que Sarkozy seja processado, o que pode convertê-lo no segundo chefe de Estado francês que passa pelos tribunais após deixar o cargo, depois do que aconteceu com seu antecessor e correligionário Jacques Chirac.

A defesa de Sarkozy já anunciou que recorrerá da decisão. O advogado do ex-mandatário, Thierry Herzog, destacou em comunicado que somente um dos dois juízes instrutores do caso assinou o envio do ex-presidente a julgamento, uma ação "muito pouco habitual" que, em sua opinião, "ilustra a inanidade da decisão". Segundo Herzog, seu cliente já pagou uma multa depois que o Conselho Constitucional determinou, em julho de 2013, que o limite de despesa permitido foi ultrapassado.

A investigação foi aberta na primavera de 2014 depois que a imprensa revelou que o ex-presidente superou o limite máximo de despesa permitido durante uma campanha eleitoral, que é de 22,5 milhões de euros. Para isso, segundo a acusação, recorreu aos serviços da empresa de comunicação Bygmalion, que emitiu faturas falsas para ocultar os altos custos dos atos eleitorais e das viagens.

Dessa forma, o ex-presidente teria ocultado cerca de 15 milhões de euros de despesas que deveriam ter constado nas contas de campanha de Sarkozy. O político, que já foi multado por este caso pelo Conselho Constitucional, devolveu o total das despesas de campanha graças a doações de militantes e simpatizantes de seu partido.

Mas isso não evitou a abertura de uma investigação judicial e as acusações em fevereiro de 2016, o que esgotou suas opções de vitória nas primárias da direita de dezembro, nas quais ficou em terceiro lugar, atrás de seu ex- primeiro-ministro François Fillon, que venceu, e Alain Juppé.

Herzog considerou "fantasioso" o valor de 42,8 milhões de euros (R$ 1.429.348.141) que a acusação considera que custou a campanha de Sarkozy em 2012 e a qual tentaram esconder das autoridades com uma rede de faturas falsas por meio da empresa de comunicação Bygmalion. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.