''Sarkozy teria mais dificuldades enfrentando Strauss-Kahn''

Henri Rey, DIRETOR DO CENTRO DE PESQUISAS POLÍTICAS DE SCIENCES PO

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Quando a prisão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e principal nome da oposição socialista à presidência da França, Dominique Strauss-Kahn, foi anunciada, o cenário político do país sofreu um forte abalo. Para o cientista político Henri Rey, diretor de pesquisas do Centro de Pesquisas Políticas de Sciences Po, o líder nas pesquisas para 2012 terá poucos dias para provar sua inocência e viabilizar sua candidatura ao Palácio do Eliseu.

A possibilidade de candidatura de Strauss-Kahn pode ser descartada?

Não, totalmente não, mas suas chances de retorno são reduzidas. Se ele for rapidamente restabelecido, ao longo dessa semana, em razão de acusações totalmente infundadas, ele pode voltar com força, pela midiatização e pela eventual injustiça das acusações. Se ele não for restabelecido imediatamente, porém, Strauss-Kahn perderá o calendário das prévias. Há uma contradição entre o cronograma da Justiça americana e o das prévias do Partido Socialista.

Para o Partido Socialista o impacto é enorme, não?

No momento, é um choque considerável para o PS. As cartas terão de ser completamente redistribuídas, muito próximo do momento em que se realizam as primárias.

Para o governo de Nicolas Sarkozy e suas pretensões de reeleição, o que a prisão de Strauss-Kahn representa?

Na perspectiva das eleições de 2012, para o governo é um adversário temível que se apagará, se a atual lógica for até o fim. O candidato natural da direita é o presidente da França, cuja popularidade é muito baixa. No entanto, ele teria muito mais dificuldades enfrentando Strauss-Kahn. Mas não estamos no momento do voto, e sim diante de intenções de voto, o que são coisas distintas. Toda reflexão, neste momento, é pura suposição.

Alguns analistas políticos

afirmam que a candidatura de Marine Le Pen, da Frente Nacional, poderia sair fortalecida, em razão do voto de protesto.

O que o senhor pensa a respeito?

É difícil dizer isso, por causa dos prazos. Se as eleições ocorressem nos próximos 15 dias, poderíamos projetar algo. No entanto, estamos a um ano da votação.

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