Sarkozy usa tática do terror para conseguir voto

Com perspectiva de perder no 1º turno da eleição francesa, em uma semana, presidente diz que país sofrerá com especulação caso socialista vença

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h04

A apenas sete dias das eleições ao Palácio do Eliseu, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, vem usando o medo da crise econômica para tentar se manter no poder. Diante da perspectiva de vitória de François Hollande, ele passou a alertar que a França sofrerá ataques especulativos nos mercados financeiros e a Europa vai naufragar com a implosão da zona do euro se o candidato do Partido Socialista (PS) vencer.

O objetivo dos coordenadores de campanha de Sarkozy, em dificuldades na disputa pela reeleição, é posicioná-lo como o único candidato capaz de proteger a quinta maior economia do mundo da crise.

A estratégia fracassou, causou controvérsia internacional e provocou o efeito contrário. Todas as últimas pesquisas eleitorais confirmam que Hollande não só deve vencer a eleição no segundo turno, em três semanas, mas agora pode sair vencedor também na primeira etapa da votação, no domingo.

A estratégia de explorar o medo da crise foi usada nos últimos dias pelo próprio Sarkozy e também pelos dois principais nomes de seu governo, o primeiro-ministro François Fillon e o ministro das Relações Exteriores Alain Juppé.

"Uma vitória de Hollande colocaria a França de joelhos", disse o presidente-candidato, disparando contra seu ex-colega José Luis Zapatero, ex-primeiro-ministro socialista da Espanha que enfrentou a maior parte da crise econômica, antes de ceder o poder em dezembro. "Hollande conhece bem essa situação, já que o único chefe de governo a quem ele visitou foi Zapatero, que conduziu a Espanha durante sete anos."

Durante a semana, a reação à ao terror de Sarkozy monopolizou a campanha eleitoral. O presidente recebeu críticas de todos os demais partidos, de analistas políticos e até dos mercados financeiros.

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