Satélite europeu filma divisão do maior iceberg do mundo

O satélite Envisat, da Agência Espacial Européia (ESA), registou em imagens o fim do maior iceberg do mundo, uma massa de gelo de 160 quilômetros de comprimento que foi quebrada por uma violenta tempestade na Antártida.A divisão deste enorme iceberg em forma de garrafa, chamado B- 15A, foi documentada em imagens captadas em outubro pelo Radar de Abertura Sintética Avançada (ASAR) do Envisat, diz um comunicado divulgado hoje pela ESA.O fenômeno deveu-se ao efeito combinado de poderosas tempestades, ondas e correntes oceânicas sobre o iceberg que, devido ao seu peso, se mantinha fixado ao fundo do Mar de Ross, na Antártida. O B-15A começou a existir em março de 2000 como B-15, então o maior iceberg conhecido com 11.655 quilômetros quadrados, quando esta enorme massa gelada do tamanho da Jamaica se soltou da plataforma gelada de Ross.O bloco sofreu pouco depois numerosas divisões, tendo a maior sido designada B-15A, que se manteve no local durante mais dois anos e meio como um muro de gelo que desviava as correntes oceânicas. Isto fez aumentar a acumulação de gelo em volta da Ilha de Ross, alterando os hábitos alimentares dos pingüins locais e obrigando a uma maior atividade dos quebra-gelos para manter aberto o acesso marítimo à base norte-americana de McMurdo Sound.O maior dos dois novos blocos agora formados herdou o nome de B-15A e o menor B-15. Prevê-se que estes icebergs permaneçam durante os próximos anos no local, cerca de 3.800 quilômetros a sul da Nova Zelândia.Uma estação GPS foi colocada no B-15A, de 3.496 quilômetros quadrados, para estudar as suas futuras deslocações.Apesar de fenômenos como estes, não há provas claras de que esteja a ocorrer atualmente um estreitamento do gelo polar. A ESA vai no entanto lançar no próximo ano a missão CryoSat, um satélite dedicado à observação do gelo que fará um mapa preciso das alterações da espessura das folhas de gelo polares e do gelo flutuante no mar.O CryoSat será o primeiro satélite do programa Planeta Vivo da ESA. Ao determinar os índices de alteração da espessura dogelo, este pequeno satélite contribuirá para a compreensão da relação entre a camada de gelo da Terra e o clima global.

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