Suliman el-Oteify/AP
Suliman el-Oteify/AP

Satélites americanos detectam onda de calor em avião russo antes de cair no Egito

Ação pode indicar explosão de bomba; equipes de resgate da Rússia ampliam o perímetro de buscas no Sinai. Braço egípcio do EI, que alegou ter derrubado a aeronave, promove novo atentado

O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2015 | 10h33

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA - Sistemas de satélite dos EUA detectaram na terça-feira uma onda de calor em torno do avião russo antes de cair no Sinai, Egito, no sábado, matando as 224 pessoas a bordo, disseram oficiais americanos.

Um dos funcionários disse que a ideia de que o Airbus A321 da companhia Metrojet, nome comercial da empresa Kogalymavia, teria sido atingido por um míssil foi excluída, pois não foi detectado nenhum lançamento.

A ação identificada pode significar muitas coisas, incluindo a hipótese de explosão de uma bomba ou de um dos motores do avião por mau funcionamento.

O analista de aviação Paul Beaver disse que o calor mostrado no satélite “indica que houve uma explosão catastrófica ou que o avião se desintegrou”, mas não revela o que teria causado o acidente.

“Ele não confirma que foi uma bomba, ou se alguém com uma arma de fogo teve uma briga no avião. Há uma série de coisas que poderiam ter acontecido.” Beaver afirmou ainda que a onda de calor poderia indicar a explosão de um tanque de combustível.

O ministro de Aviação Civil do Egito destacou que “levará algum tempo” para se chegar a uma conclusão, e que a comissão “tem todas as ferramentas e especialistas para conduzir as investigações”.

Buscas. As equipes de resgate da Rússia ampliarão para 40 km² o perímetro de busca dos destroços do avião, informou o Ministério de Situações de Emergência.

"Pedi para examinar todos os lugares possíveis onde possa haver fragmentos do avião, inclusive os menores, e a ampliação do perímetro de busca para 40 km² com o emprego de drones e supervisão espacial", disse o ministro de Situações de Emergência, Vladimir Puchkov.

Até hoje, a área de busca dos destroços do Airbus A-321 e de seus 224 ocupantes era de 30 km².

O Ministério disse que 140 corpos e mais 100 restos mortais foram levados para São Petersburgo em dois aviões do governo. O vice-governador da cidade, Igor Albin, informou hoje que até esta manhã foram identificados 33 corpos pelas amostras de DNA, e entregues às famílias.

Extremismo. Pelo menos três policiais egípcios morreram nesta quarta-feira, 4, em um atentado com carro-bomba na cidade de Al Arish, no norte da Península do Sinai, reivindicado pela filial egípcia do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

O veículo, conduzido por um suicida, foi detonado em frente ao clube de oficiais da Polícia de Al Arish, segundo fontes do Ministério do Interior citadas pela agência oficial Mena. A explosão também feriu cinco policiais e cinco civis, que foram levados para o hospital.

O ramo egípcio do EI, Wilayat Sina (Província do Sinai), que afirmou ter derrubado o avião russo que caiu sábado, assumiu em comunicado a autoria desta "operação de martírio contra o clube de oficiais apóstatas".

Wilayat Sina, que perpetrou os mais sangrentos atentados destes dois últimos anos, disse que a situação piorará: "Transformaremos suas noites em dias e seu sangue em rios", advertiu. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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