Saúde da rainha Elizabeth levanta dúvidas após breve internação hospitalar

Saúde da rainha Elizabeth levanta dúvidas após breve internação hospitalar

O caso provocou uma mistura de ultraje, questionamentos e preocupação depois que a rainha, apesar de sua idade avançada, realizou cerca de 15 tarefas oficiais nas duas semanas desde seu retorno das férias na Escócia

Anna Cuenca/AFP, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2021 | 09h00

Simplesmente exausta por uma agenda extremamente ocupada aos 95 anos ou sofrendo de uma grave doença? A rainha Elizabeth II passou uma noite no hospital para “exames”, mas o sigilo no palácio real levantou dúvidas nesta sexta-feira, 22, sobre o estado de saúde da monarca

Em uma breve declaração, o Palácio Buckingham anunciou na noite de quinta-feira que a monarca mais longeva da história tinha dado entrada, no dia anterior, em um hospital de Londres para exames médicos e só retornou ao Castelo de Windsor no dia seguinte.

Salientando que a soberana “permanecia de bom humor”, a família real só se manifestou depois que o tablóide The Sun divulgou a notícia. 

O jornal britânico afirmou que Elizabeth II permaneceu no hospital porque já era muito tarde para retornar a Windsor, que fica a 40 km a oeste da capital.

Mas o caso provocou uma mistura de ultraje, dúvida e preocupação depois que a rainha, apesar de sua idade avançada, realizou cerca de 15 tarefas oficiais nas duas semanas desde seu retorno das férias na Escócia. Ela chegou a ter até três compromissos em um só dia.

“Fontes reais quiseram dar a impressão de que ela tinha simplesmente exagerado, mas agora pode ser mais difícil convencer o público”, disse Richard Palmer, correspondente real do Daily Express, enfatizando que a expressão “bom humor” é um “clichê palaciano”.

“Rumores e desinformação”

A família real anunciou na quarta-feira que a rainha Elizabeth tinha “relutantemente aceitado conselhos médicos para descansar nos próximos dias”, cancelando uma viagem à Irlanda do Norte.

O correspondente real da BBC, Nicholas Witchell, reclamou que “os funcionários do Palácio de Buckingham não deram um quadro completo e razoável do que estava acontecendo” e lamentou que eles tivessem levado seus telespectadores a acreditar que a chefe de Estado, e uma das celebridades mais populares do mundo, estava descansando em sua residência quando, na verdade, estava sendo levada ao hospital.

Chamando de “ausência de boas informações confiáveis” e de “problema”, pois isso faz com que “boatos e desinformação proliferem”, ele questionou se “podemos confiar no que o palácio está nos dizendo agora”.

Para aqueles que conhecem Elizabeth II, como Robert Hardman, que fez vários documentários sobre a rainha, ela “odeia que as pessoas prestem muita atenção em seus passos, mas especialmente em relação à sua saúde”.

Eu também “acho que eles estão procurando manter uma certa dignidade no cargo e sei que uma das razões pelas quais nada foi dito sobre a ida ao hospital ontem foi para evitar uma barreira de câmeras de televisão nos portões”, disse ele.

Cúpulas e recepções 

A agência de notícias britânica PA havia afirmado na quarta-feira que o conselho médico para “descansar” não estava relacionado ao coronavírus, contra o qual a rainha foi vacinada há meses.

Apesar da idade, da morte de seu marido Philip em abril e da pandemia de covid-19, a monarca continuou a participar incansavelmente dos eventos públicos nos últimos meses, enquanto se preparava para celebrar seu 70º ano no trono, em 2022. 

E ela planeja participar ao lado de seu filho Charles, 72, e de seu neto William, 39, respectivamente, primeiro e segundo na linha de frente para o trono, da COP-26, a grande conferência da ONU sobre mudança climática que começa no início de novembro na cidade escocesa de Glasgow.

Em junho, ela também participou da cúpula do G-7 no sudoeste da Inglaterra e recebeu o presidente dos EUA, Joe Biden, em Windsor.

Pela primeira vez desde 2004, ela foi vista caminhando em público com uma bengala, na semana passada.

Mas na terça-feira ela apareceu sem o acessório ao lado do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em uma recepção para dezenas de líderes empresariais reunidos em Londres para a Cúpula Global de Investimentos, incluindo o fundador da Microsoft, Bill Gates.

Aparentemente em forma, sorridentes e sem máscara, todos receberam aperto de mão da rainha Elizabeth, que falou com os convidados de pé.

 

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