Saúde de Chávez causa boato de cisão no PSUV

Vice Elías Jaua, chanceler Nicolás Maduro e presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, despontam como líderes do bolivarianismo

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 03h07

Desde a recaída no estado de saúde no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em fevereiro, têm crescido os rumores sobre sua participação nas eleições de outubro. O líder bolivariano nunca designou sucessores e o discurso oficial do governo é o de que Chávez estará na disputa. Apesar disso, o vice Elías Jaua, o chanceler Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, despontam como candidatos.

Cada um dos três representa uma facção do amálgama político que compõe o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Ex-professor universitário, Jaua é a base ideológica do chavismo. Foi ministro da Economia, mas não herdou os poderes do presidente, mesmo durante seu tratamento em Cuba. Maduro começou sua carreira no sindicalismo e é apontado por analistas como "pragmático". Cabello, aliado de longa data de Chávez, que lhe devolveu o poder após o golpe de Estado frustrado de 2002, é ligado ao alto comando militar.

"A ausência de Chávez desataria um conflito cujas consequências ainda não somos capazes de prever. As dificuldades internas do PSUV são evidentes", disse ao Estado o analista Omar Noria, da Universidade Simón Bolívar. "Uma série de conflitos controlados até então pelo presidente e as tensões se tornariam visíveis. A doença de Chávez e a incerteza que ela traz impedem que essas tensões se tornem muito claras."

Jaua e Maduro foram designados candidatos nas eleições estaduais de dezembro, respectivamente em Miranda e Carabobo. Cabello ocupa a presidência do PSUV.

Nos meios políticos venezuelanos, especulou-se que Maduro poderia desistir da disputa para tornar-se vice de Chávez, mas o partido rejeitou essa possibilidade. "Mais moderado, o chanceler tem ganhado, já há algum tempo, força política no governo", disse uma fonte diplomática ao Estado.

Cabello, por sua vez, enfrenta desconfiança do setor ideológico do chavismo. Na sexta-feira, cartazes com a frase "Diosdado Presidente" foram colocados em uma avenida de Caracas. O presidente da Assembleia acusou a oposição de confeccionar os cartazes e de tentar provocar uma cisão no chavismo. Em fevereiro, Cabello teve de ir a público desmentir um desentendimento entre ele e Jaua, poucos dias após a recaída de Chávez.

"O presidente manipula politicamente seus subordinados de modo que ninguém se sente como o favorito ou completamente descartado", acrescentou Noria. "Chávez é um grande manipulador."

Para o especialista em opinião pública Pablo Antillano, nenhum dos três tem o mesmo potencial de Chávez. No caso de uma eleição sem o líder, eles poderiam ser derrotados pelo opositor Henrique Capriles. "Nenhum deles tem o carisma e a popularidade de Chávez. Jaua é um cumpridor de ordens. Maduro é mais pragmático. Cabello, em especial, é impopular", afirmou. "A melhor aposta do chavismo é o próprio Chávez."

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