Saúde de Fidel é motivo de especulação constante

Sem nunca deixar o poder desde que liderou a Revolução Cubana, em 1959, o presidente de Cuba, Fidel Castro, delegou pela primeira vez nesta segunda-feira suas funções como chefe de Estado a seu sucessor legal, seu irmão Raúl Castro. Embora o fato tenha sido inédito, as especulações sobre a saúde do presidente que por mais tempo ocupou initerruptamente a chefia de um Estado são constantes há anos. Aos 79 anos, Fidel já quebrou a perna, sofreu um perigoso espasmo arterial e por várias vezes foi vítima de especulações sobre sua morte. Ainda assim, o presidente cubano sempre manteve o bom humor ao comentar as notícias sobre sua idade. Recentemente, prestes a comemorar seu 80º aniversário - que acontece no próximo dia 13 -, Fidel afirmou que não pretende ficar no cargo até os cem anos. Durante um discurso de duas horas e meia na cúpula do Mercosul, na Argentina, ele não perdeu a oportunidade de alfinetar seu maior adversário, os Estados Unidos: "Que os vizinhos do norte não se preocupem, não pretendo exercer o meu cargo até os cem anos".Isso não significa, no entanto, que os sobressaltos na saúde de Fidel não tenham sido graves e constantes nos últimos anos. Em outubro de 2004, uma queda durante um ato na Escola de Instrutores de Arte, em Santa Clara, colocou em evidência sua debilidade física e levantou dúvidas sobre a permanência do líder no poder. O presidente caiu sobre um palco, fraturando o joelho direito - que teve que ser operado - e o braço esquerdo. O estado de saúde de Fidel é tratado com extremo sigilo. Para muitos analistas, a morte do presidente pode implicar em um colapso na Revolução Cubana. Em 1989, ele teve um perigoso espasmo arterial, que só foi confirmado involuntariamente pelo ministro do Interior, Abelardo Colomé Ibarra. Depois disso, tornou-se comum o surgimento periódico de informações sobre a apresentação de sintomas de dano cerebral pelo líder cubano.Em 1997, depois de mais de três semanas de "sumiço" que provocaram rumores sobre sua morte, o presidente cubano reapareceu em público e ironizou os boatos. "Volta e meia matam alguns de nós, mas não nos damos ao trabalho de responder", afirmou. "No dia em que acontecer mesmo [a morte], não sei como convenceremos as pessoas de que é verdade", acrescentou. Em uma conferência em Cartagena, enquanto arduamente tentava conversar com a então presidente da Nicarágua, Violeta Chamorro, Fidel sofreu um desmaio e dois guarda-costas tiveram de arrastá-lo até o banheiro, onde o reanimaram. Em 2001, ele também desmaiou em um discurso em Havana. Durante quase dois anos, Fidel caminhava muito lentamente, às vezes com o braço esquerdo dobrado na altura da cintura. Além disso, tinha grande dificuldade para subir e descer de carros, além de demonstrar sentir dor. Ainda durante a recente cúpula do Mercosul, em uma conversa com jornalistas venezuelanos, Fidel também ironizou as notícias que indicam uma grave deterioração de sua saúde: "Eu estou morrendo quase todos os dias". Segundo ele, "de verdade, sinto-me muito bem". No entanto, ele não evita falar sobre o assunto, e diz que se sente calmo em relação a morte: "Se você trabalhou todos os dias de sua vida, pode estar sereno". CIAA CIA chegou a divulgar no ano passado que Fidel sofre do mal de Parkinson e, como conseqüência, teria uma significativa deterioração de seu estado de saúde nos próximos anos. A notícia foi veiculada pelo jornal The Miami Herald e foi negada pelo governo cubano.Os rumores de que o presidente tem câncer ou mal de Parkinson circulam freqüentemente entre os exilados anticastristas de Miami, assim como boatos sobre sua morte. Fidel abandonou o hábito de fumar charuto, não bebe e, ao longo da vida, praticou esportes. Segundo um de seus médicos, "ele vai viver 140 anos".

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