AFP PHOTO / KARIM SAHIB
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Sauditas acusam Catar de envenenar mais de 700 refugiados no Iraque

Campo em Mossul recebe refeições contaminadas de ONG ligada à família real catari; sauditas criticam o incidente

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 18h42

MOSSUL, IRAQUE -Um refugiado morreu e 752 sofreram intoxicação alimentar em Mossul, no Iraque, em um incidente explorado pela Arábia Saudita em meio à crise diplomática com o governo do Catar. A ONG responsável pelo fornecimento de comida aos refugiados é a RAF, de origem catari. Após o caso vir a público, autoridades sauditas acusaram o governo do Catar de “envenenar crianças”. Pelo menos 300 dos doentes estão em estado grave, segundo a ONU. 

O incidente ocorreu no campo de refugiados de Hassam Sham, a 20 quilômetros de Mossul, onde forças iraquianas, milícias xiitas e curdas tentam expulsar combatentes do Estado Islâmico (EI). Segundo o ministro da Saúde do Iraque, Adila Hamoud, as pessoas ficaram doentes na noite de ontem após o iftar - o desjejum característico do Ramadã, quando os fiéis podem comer apenas depois do anoitecer.

Segundo o ministro, “mais de 200 pessoas foram transferidas para um hospital em Irbil (no Curdistão iraquiano)”. 

A comida foi preparada em Irbil pela ONG Ain el Muhtajeen, bancada pela fundação beneficente do Catar RAF. 

Pelo Twitter, a TV estatal saudita aproveitou para criticar o governo do Catar, dias depois do rompimento de relações entre os dois países e qualificou a RAF de “grupo terrorista”. 

Um deputado iraquiano também acusou a ONG catari de prover comida estragada. No fim da tarde de ontem, médicos e voluntários tratavam dezenas refugiados com sintomas de diarreia, desidratação e vômito. 

O presidente da comissão de refugiados do Parlamento iraquiano, Raad al-Dahlaki, visitou o campo de refugiados e disse que entre as comidas contaminadas estavam arroz, carne e iogurte. O departamento de polícia de Erbil prendeu sete pessoas suspeitas de envolvimento com o incidente.

Críticas. Desde o início da crise entre os governos da Arábia Saudita e do Catar, jornais de países árabes alinhados ao governo saudita têm adotado uma cobertura bastante crítica ao emirado, que é acusado de apoiar grupos terroristas.

 

A RAF é uma entidade ligada à família real do Catar e trabalha com ajuda humanitária no mundo muçulmano. Entre seus programas, está a distribuição de refeições a famílias carentes no Ramadã. A RAF foi designada uma organização terrorista pelo governo saudita após o início da crise diplomática. Na TV do Catar, apresentadores responsabilizaram a crise diplomática pela dificuldade em entregar ajuda humanitária durante o Ramadã na Síria e no Iraque.

O campo de refugiados de Hassam Sham abriga milhares de pessoas que fugiram de Mossul após o Estado Islâmico ter tomado a segunda maior cidade do Iraque em 2014. Segundo a ONU, 6,2 mil pessoas vivem no campo. Após meses de ofensiva liderada pelos Estados Unidos, o Estado Islâmico domina atualmente apenas alguns bairros da cidade velha, às margens do Rio Tigre. / AP

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