Sauditas ajudam rebeldes da Síria com armas croatas

Segundo autoridades ocidentais, armamento tem sido distribuído a grupos considerados nacionalistas e seculares

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h03

A Arábia Saudita financiou uma grande compra de armas de infantaria da Croácia e discretamente enviou o armamento para os rebeldes que combatem o regime do ditador sírio, Bashar Assad, num esforço para romper o impasse sangrento que tem permitido que o líder se agarre ao poder. A informação é de autoridades americanas e ocidentais.

Segundo as fontes, as armas começaram a chegar aos insurgentes em dezembro, via Jordânia, e têm colaborado com os pequenos ganhos táticos dos rebeldes, este ano, contra o Exército oficial e as milícias leais a Assad.

As transferências de armas aparentaram sinalizar uma mudança de vários governos no sentido de tomar uma atitude mais ativa para ajudar a oposição armada da Síria e, em parte, um esforço para contrabalançar as remessas de armas do Irã para as forças de Assad.

O armamento enviado aos insurgentes tem sido distribuído principalmente a grupos considerados nacionalistas e seculares. Segundo as fontes, parece que houve a intenção de evitar que as armas caíssem nas mãos de grupos jihadistas anti-Assad, cuja participação na guerra civil síria tem alarmado potências ocidentais e regionais.

Durante meses, governos vizinhos e do Ocidente abstiveram-se de armar os rebeldes, em parte por temer que o armamento caísse em mãos terroristas. Mas as fontes disseram que a decisão de enviar mais armas tem em vista um outro temor do Ocidente sobre o papel de grupos jihadistas na oposição. Esses movimentos têm sido vistos como mais bem equipados do que muitos combatentes nacionalistas, e potencialmente mais influentes.

A ação indica também o reconhecimento entre os simpatizantes árabes e ocidentais dos rebeldes de que o sucesso da oposição em expulsar as forças de Assad de boa parte da zona rural do norte da Síria, em meados do ano passado, deu lugar a uma campanha lenta, de desgaste, em que a oposição continua mal armada e o custo humano continua a crescer. O papel dos EUA nas remessas, se ele existe, não está claro.

Autoridades europeias e americanas, da CIA, citaram a sensibilidade das remessas e não quiseram comentar o fato publicamente. Mas um dirigente americano de alto escalão descreveu as remessas como um "amadurecimento do canal logístico da oposição". O funcionário observou que a insurgência continua fragmentada e operacionalmente incoerente, acrescentando que a recente compra saudita "não foi em si um momento de virada".

A fonte acrescentou que as remessas do Irã ao governo sírio são muito comuns e ainda excedem as que Estados árabes fizeram aos rebeldes. As transferências iranianas de armas alimentaram temores nos vizinhos sunitas da Síria de estarem perdendo terreno para Teerã no que se tornou uma disputa regional entre árabes sunitas e o governo Assad e o Hezbollah.

As armas enviadas aos rebeldes viriam da Croácia, mas o chanceler e a agência de exportação de armas do país negaram a ocorrência das remessas. / NYT

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