Sauditas apoiam repressão e enviam US$ 5 bi ao Cairo

Na contramão da comunidade internacional, o rei da Arábia Saudita, Adbullah bin Abdul Aziz, anunciou ontem seu apoio à ofensiva dos militares contra o levante da Irmandade Muçulmana no Egito. Em disputa particular com o Catar por mais influência regional, o governo saudita reiterou sua disposição de financiar o presidente interino Adli Mansour com US$ 5 bilhões - mais de três vezes a ajuda enviada pelos EUA. Em Paris, Berlim e Washington as reações continuam duras contra a repressão.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h01

As declarações de Abdullah foram feitas ontem, enquanto o Cairo vivia o segundo massacre de militantes islamistas na semana. "O Reino da Arábia Saudita, seu povo e seu governo permaneceram e permanecem com seus irmãos do Egito contra o terrorismo", afirmou o monarca, em pronunciamento de TV no qual pediu à comunidade internacional que "não inflame a agitação". A oferta revela a perda paulatina de influência americana no país.

Com um discurso antagônico, as principais potências do Ocidente começaram a se organizar em torno de uma resposta comum aos massacres. Ontem, o presidente da França, François Hollande, fez reuniões bilaterais com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, para ajustar os discursos e cobrar uma saída política para o conflito, evitando uma guerra civil.

Segundo o Palácio do Eliseu, ministros das Relações Exteriores de Alemanha e França se reunirão na próxima semana para "reavaliar as relações com o Egito". Por telefone, Hollande e Cameron decidiram que os dois países também trabalharão por "uma mensagem europeia forte" para o governo interino de Mansour.

Na quinta-feira, Obama anunciou a suspensão dos exercícios militares com o Egito e insinuou que a ajuda financeira ao governo pode ser revista, caso novas eleições não sejam convocadas em breve. / A.N.

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