Sauditas executam acusada de feitiçaria

Aplicação da pena de morte por crime de bruxaria é a 2ª de 2011; ré tinha mais de 60 anos

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h08

As autoridades da Arábia Saudita executaram ontem uma mulher condenada por praticar magia e feitiçaria. Segundo o comunicado oficial publicado na agência de notícias estatal, Amina bin Abdul Halim bin Salem Nasser foi decapitada na Província de Jawf, no norte do país.

O Ministério do Interior saudita não deu detalhes sobre os crimes da mulher, que, segundo Riad, tinha mais de 60 anos.

De acordo com Abdullah al-Mohsen, chefe da polícia religiosa que prendeu a suposta feiticeira e foi citado pelo jornal Al-Hayat, ela foi acusada de prometer curar enfermidades e cobrar até US$ 800 por cada atendimento mágico.

O comunicado oficial afirmou que Amina tinha sido presa em abril de 2009 e, após ser processada, acabou condenada pela Justiça saudita.

De acordo com um cálculo realizado pela Associated Press, a execução de ontem foi a 76.ª ocorrida neste ano e 3 das penas de morte sauditas foram aplicadas contra mulheres. Segundo a ONG Human Rights Watch, em 2009, ao menos 53 pessoas foram executadas e, no ano seguinte, estima-se que 26. A confirmação desses números por fontes independentes, porém, é difícil de ser realizada.

Amina não foi a única pessoa a ser executada por prática de magia e feitiçaria em 2011. Segundo a TV britânica BBC, em setembro, um sudanês foi vítima da mesma pena ao ser condenado por acusações semelhantes, apesar de apelos da ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pela sua suspensão. No mesmo mês, a entidade denunciou que ao menos 140 pessoas aguardam a execução no corredor da morte saudita.

A legislação do reino segue estritamente a sharia, a lei islâmica, que proíbe a prática de bruxaria. E pune com a morte até "delitos" como adultério, blasfêmia, homossexualismo e idolatria.

A caça às bruxas da Arábia Saudita ganhou as manchetes em maio de 2008, quando o médium da TV libanesa Ali Hussain Sibat foi preso pela polícia religiosa enquanto fazia uma peregrinação por locais sagrados do país. De Beirute, ele transmitia seu hot line místico pela emissora Sherazade, prevendo futuros, proferindo feitiços e dando conselhos místicos. A execução foi marcada para março de 2010, mas ela não foi confirmada pelas autoridades de Riad.

Rigidez. Graças à rígida legislação aplicada na sociedade saudita, as mulheres do país não sofrem apenas com as acusações de bruxaria. Em setembro, a Justiça saudita sentenciou Shaima Jaistaina a dez chibatadas por dirigir, após ela ter desafiado a proibição imposta pelas autoridades do país. Um dia depois, a mulher do príncipe saudita Walid bin Talal, sobrinho do rei Abdullah bin Abdulaziz al-Saud, afirmou que o monarca indultaria a ativista, mas a sentença foi confirmada em novembro, segundo militantes. Outras dezenas de mulheres sauditas respondem por esse delito.

A condenação, porém, ocorreu num momento de celebração. Dias antes, o rei tinha anunciado que as mulheres poderão votar e se candidatar em eleições pela primeira vez desde que a monarquia se instalou, há 88 anos. / AP

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