Sauditas levam proposta para crise iraquiana à ONU

A Arábia Saudita fez uma proposta ao Conselho de Segurança da ONU para que haja um fim pacífico da crise iraquiana, disse o ministro do Exterior, príncipe Saud. Ele se recusou a oferecer detalhes da proposta, numa entrevista coletiva em Riad. Entretanto, numa entrevista divulgada no site da revista Time, o príncipe disse que a idéia considera o oferecimento de anistia para alguns dos generais do presidente iraquiano Saddam Hussein, a fim de incentivá-los a dar um golpe e, assim, evitar uma nova guerra.O príncipe Saud afirmou que seu país pediu ao Conselho de Segurança para dar aos árabes uma última chance de evitar um ataque contra o Iraque."O reino pediu ao Conselho de Segurança para avaliar de todos os ângulos a crise iraquiana, mesmo no evento de uma resolução do Conselho de Segurança autorizando uma guerra", disse Saud."Não é fácil decidir tomar uma ação militar contra um membro da ONU", explicou ele a repórteres. "É por isso que o reino submeteu uma proposta, porque o Conselho de Segurança está dividido sobre esse problema (a questão iraquiana)".O ministro saudita disse que adiantar uma cúpula anual árabe para se discutir a crise iraquiana "sem uma justificativa apropriada iria ferir a credibilidade (dos árabes)"."Não é questão de uma cúpula, mas a questão de credibilidade e seriedade na implementação de resoluções sobre nossas questões cruciais", considerou.Entretanto, ele adiantou que o reino está estudando a proposta de antecipação da cúpula.O encontro, originalmente marcado para o final de março no pequeno Barein, deve agora ser realizado no Egito, que tem a influência política para forjar um acordo, no começo de março. Chanceleres árabes terão uma reunião em 16 de fevereiro no Cairo, onde devem finalizar os detalhes.O príncipe Saud também exortou que "o objetivo de uma ação militar não deve ser uma punição ao Iraque, mas a preservação da unidade do Iraque, sua independência e soberania".Para ele, a ONU deve "ser capaz de preservar o Estado caso a segurança dentro do Iraque se desintegre e a administração local entre em colapso"."Isso provocaria graves repercussões na região", considerou.Ele advertiu que a divisão do Iraque em pequenos Estados provocaria lutas internas entre vários grupos, e lembrou que durante a guerra civil no Líbano, de 1975 a 1990, "todos os grupos terroristas encontraram abrigo" naquele país.A Arábia Saudita e outros países árabes buscam desesperadamente evitar uma guerra, temendo que ela leve à desestabilização da região e a um incremento da militância islâmica.

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