Sauditas prometem acabar com terrorismo

Cúpula consolida aliança militar islâmica que declara guerra ao extremismo

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 05h00

RIAD - O príncipe saudita Mohamed bin Salman prometeu neste domingo, 26, acabar com o terrorismo islâmico. Durante uma cúpula militar em Riad, ele declarou que o ataque contra uma mesquita no norte da Península do Sinai, no Egito, que deixou mais de 300 mortos na sexta-feira, servirá para consolidar a aliança de países muçulmanos para combater o “extremismo”. 

Altos funcionários dos gabinetes de defesa de 40 países de maioria muçulmana se reuniram ontem em Riad. Todos fazem parte da aliança militar que tem sido organizada pelo príncipe saudita – que também atua como ministro de Defesa de seu país – há dois anos.

O príncipe herdeiro tem afirmado, nos últimos meses, que pretende dar apoio a vertentes mais moderadas e tolerantes do islamismo, mesmo dentro da Arábia Saudita, um dos países mais conservadores do mundo. Salman afirmou ontem aos membros da nova aliança que o ataque no Egito “foi um acontecimento muito doloroso”. “Isso deve nos fazer pensar no papel do terrorismo e do extremismo internacional”, disse.

Na sexta-feira, durante as orações, cerca de 30 militantes fortemente armados chegaram à mesquita sufista de Al-Rawda, a oeste da cidade de Arish, no norte do Sinai, ostentando uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico em um dos veículos 4x4. 

Depois de detonar uma bomba na entrada da mesquita, os extremistas começaram a disparar as armas semiautomáticas contra os cerca de 500 fiéis que estavam no local. Além de deixar 305 mortos – entre eles, 27 crianças – o ataque feriu outras 128 pessoas.

Até ontem, o grupo Wilayat Sinai, braço do Estado Islâmico que atua na península egípcia, não havia assumido a autoria do ataque. O Estado Islâmico considera hereges os sufistas, que praticam um ramo místico do Islã, idolatrando santos e templos.

O grupo de países muçulmanos, que foi denominado Coalizão Militar Islâmica de Contraterrorismo, ainda não realizou ações decisivas. Funcionários dos governos envolvidos na coalizão afirmam que seus membros podem solicitar ou oferecer ajuda a outros países para combater terroristas.

Essa ajuda poderá incluir auxílio militar, assistência financeira, fornecimento de equipamentos bélicos e troca de informações de especialistas. A coalizão, que tem base na capital saudita, também teria a função de combater o financiamento do terrorismo e a ideologia fundamentalista islâmica.

“As maiores ameaças do terrorismo e do extremismo não são apenas a matança de pessoas inocentes e a propagação do ódio. O extremismo também estraga a reputação de nossa religião e distorce a nossa fé”, declarou o príncipe saudita a funcionários de governos de países Oriente Médio, da África e da Ásia. 

Um dos problemas da jogada diplomática do príncipe saudita é que o Iraque e a Síria, países cruciais para a estabilidade do Oriente Médio e estão na linha de frente da luta contra o Estado Islâmico, não foram convidados para participar da nova aliança militar. 

O Irã, país de maioria xiita e principal rival regional da Arábia Saudita, também não. O Catar, que antes era aliado dos sauditas, não enviou representantes para a reunião de ontem porque os sauditas lideram um movimento internacional de isolamento de Doha, acusando opaís de financiar o terrorismo.

Nos últimos anos, Salman tem defendido uma longa lista de reformas econômicas e culturais, desde a abertura dos cinemas até a permissão da venda de ações na Bolsa da Aramco, a gigante estatal do petróleo. Em setembro, seu pai, o rei Salman bin Abdelaziz, autorizou as mulheres a dirigir automóveis.

No mês passado, em uma rara entrevista, ele afirmou ao jornal britânico The Guardian que está tentando “fazer a Arábia Saudita voltar a ser o que era, com um Islã moderado, aberto para o mundo e para todas as religiões”. As declarações, no entanto, causaram reação negativa entre clérigos ultraconservadores e membros da família real, o que mostra o tamanho do desafio que o príncipe herdeiro terá pela frente. / REUTERS

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