Middle East Monitor / Reuters
Middle East Monitor / Reuters

Sauditas que mataram Khashoggi treinaram nos EUA, diz jornal

De acordo com reportagem do 'Washington Post', alguns membros do 'grupo de intervenção rápida' criado pelos serviços sauditas e enviado a Istambul receberam treinamento de empresa do Arkansas sob licença do Departamento de Estado americano

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 15h42

WASHINGTON - Membros do comando saudita que matou o jornalista Jamal Khashoggi participaram de um treinamento nos Estados Unidos, informou neste sábado, 30, o jornal Washington Post, que também revelou novos elementos sobre a morte de seu ex-colunista.

Crítico do regime, o intelectual saudita que morava nos EUA foi morto e desmembrado em 2 de outubro por um grupo de 15 agentes sauditas vindos de Riad no consulado de seu país em Istambul. Seu corpo nunca foi encontrado.

Depois de negar o assassinato, a Arábia Saudita acabou por reconhecer uma operação realizada por elementos “fora de controle”. O processo de onze suspeitos foi aberto no começo do ano pela Justiça saudita.

Mas as dúvidas persistem, começando pelo papel do poderoso príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, considerado pelo Senado americano como o responsável pelo crime, a quem o governo de Donald Trump se recusa a questionar publicamente.

Segundo o editorialista do Post, David Ignatius, “um saudita que leu atentamente a transcrição de uma gravação em áudio”, feita graças a um microfone colocado pelos serviços turcos no consulado, disse a ele que o comando pretendia sequestrar Khashoggi para levá-lo de volta à Arábia Saudita e interrogá-lo. 

Mas essa fonte saudita acrescentou, citando uma nota na transcrição, que o jornalista recebeu uma injeção, “provavelmente um poderoso sedativo”, antes que um saco fosse colocado em sua cabeça.

"Eu não consigo respirar. Tenho asma. Não façam isso”, gritou Khashoggi pouco antes de sua morte, de acordo com esta transcrição citada pela mesma fonte saudita no jornal.

De acordo com Ignatius, que disse ter falado com mais de uma dúzia de fontes americanas e sauditas sob condição de anonimato, alguns membros deste “grupo de intervenção rápida”, criado pelos serviços sauditas e enviado a Istambul, receberam treinamento nos EUA.

“A CIA indicou a outras agências governamentais que esse treinamento em operações especiais poderia ter sido parcialmente realizado pela Tier 1 Group, uma empresa do Arkansas, sob licença do Departamento de Estado americano”, acrescentou o jornal.

“Este treinamento ocorreu antes da morte de Khashoggi” e “não recomeçou desde então”, disse ele, assegurando que várias outras trocas de segurança entre Washington e Riad estão pendentes desde o assassinato. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.