Sauditas retiram bilhões em investimentos dos EUA

Os ricos investidores da Arábia Saudita, a pátria de Osama bin Laden e de 15 dos 19 terroristas do 11 de setembro, retiraram dos bancos americanos dezenas de bilhões de dólares nos meses posteriores aos atentados, informou o jornal britânica Financial Times em sua edição de hoje. Um analista citado pelo diário disse que o total de fundos sacados por investidores individuais chega a US$ 200 bilhões. Outros banqueiros põem a quantia mais perto de US$ 100 bilhões. Segundo o jornal, a aliança entre os EUA e a Arábia Saudita foi duramente abalada depois dos atentados. Acusações de que o austero modelo de islamismo da Arábia Saudita alimenta o terrorismo e de que suas instituições de caridade financiam a rede Al-Qaeda foram recebidas, no reino, como ataques contra a sociedade saudita e sua religião. Um analista da Rand Corporation disse, numa reunião do Pentágono, neste mês, que a Arábia Saudita era a ?semente do mal?, exacerbando os temores da elite do país de que ela está sendo demonizada nos Estados Unidos e seu dinheiro não está mais seguro lá. O Financial Times afirma que, como parte da luta contra o terrorismo, as autoridades americanas e sauditas têm monitorado as contas de dezenas de companhias e indivíduos da Arábia Saudita, uma medida que alarma os comerciantes árabes. Youssef Ibrahim, membro-sênior do Conselho de Relações Exteriores que trabalha num projeto para reexaminar as relações entre os dois países, afirmou ao diário que os sauditas retiraram pelo menos US$ 200 bilhões dos EUA nos últimos meses. Ele disse que a atitude foi motivada por comentaristas linha-dura dos EUA que propuseram o congelamento dos ativos sauditas. A tendência, disse ele, deverá se acelerar por causa da ação judicial de US$ 1 trilhão lançada na semana passada por parentes das vítimas de 11 de setembro. A ação acusa várias instituições e grupos de caridade sauditas, e três membros da família real, incluindo o ministro da Defesa, de financiar o terrorismo. De acordo com o jornal, os detalhes sobre os investimentos sauditas nos Estados Unidos são incompletos, mas analistas financeiros acreditam que eles somem entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões. Os fundos estão aplicados nos mercados de capitais, ações, de títulos e imobiliário. A quantia inclui investimentos de membros da família real. Acredita-se que os investidores não estejam fechando suas contas nos EUA, e sim transferindo dinheiro para contas na Europa, afirma o Financial Times. Banqueiros em Londres disseram que os maiores investidores sauditas não parecem estar seguindo a tendência. Um deles afirmou: "Sou cético quanto a um êxodo. Mas há muito dinheiro saudita com bancos americanos que não foi diversificado, e agora os sauditas põem as asas para fora. Talvez 30% ou até 50% do dinheiro que estava em bancos dos EUA esteja procurando diversificação." O movimento do dinheiro saudita pode ter contribuído para a recente pressão sobre o dólar. "As pessoas não confiam mais na economia ou na política externa dos Estados Unidos", disse Bishr Bakheet, um consultor financeiro de Riad.

Agencia Estado,

21 Agosto 2002 | 15h25

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