Saudosistas do apartheid alimentam violência, diz África do Sul

O chefe dos serviços desegurança da África do Sul acusou na sexta-feira direitistasque foram ligados ao apartheid de estimular a violência contraestrangeiros, que agora atinge também a Cidade do Cabo. Pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 25 mil fugiram desuas casas em 12 dias de agressões com facas, paus e fogo. Oalvo são imigrantes, que parte da população aponta como causasdo desemprego e da criminalidade. Os distúrbios começaram numa periferia de Johanesburgo, e ogoverno tem sido criticado pela demora em reagir e pela faltade medidas contra a pobreza, que está na raiz do problema. Mas Manala Manzini, chefe da Agência Nacional deInteligência, disse à Reuters que pessoas ligadas ao antigoregime de segregação racial vêm estimulando a violência."Definitivamente há uma terceira mão envolvida. Há um esforçodeliberado, orquestrado, bem-planejado". disse ele. "Temos informações de que elementos que estiveramenvolvidos com a violência prévia à eleição de 1994 são naverdade os mesmos elementos que reiniciaram os contatos com aspessoas que usavam no passado", afirmou. Segundo ele, parte da violência começou nas pensões ondetradicionalmente vivem muitos migrantes zulus. Nos últimos anosdo apartheid, os piores incidentes nos subúrbios sul-africanosopunham seguidores do Partido da Liberdade Inkatha, ligado aoszulus, aos do Congresso Nacional Africano, que governa o paísdesde o fim do regime racista. Em visita à Nigéria, a vice-presidente sul-africana,Phumzile Mlambo-Ngcuka, pediu desculpas às pessoas afetadas. "Aviolência é lamentável e chocante. Quero pedir desculpas aosque foram afetados e quero lhes dar garantias de que osresponsáveis serão tratados segundo a lei", afirmou. Em Moscou, a chanceler Nkosazana Dlamini-Zuma disse que aviolência está deixando seu país com "uma péssima imagem", masgarantiu que o governo está se empenhando em contê-la. Nesta semana, o presidente Thabo Mbeki autorizou o uso doExército contra a onda de violência na África do Sul, que seprepara para receber cerca de meio milhão de turistas durante aCopa do Mundo de 2010. CIDADE DO CABO A polícia disse que durante a madrugada grupos atacaramimigrantes da Somália e do Zimbábue na Cidade do Cabo, segundamaior cidade do país, importante centro turístico. Houve saquescontra lojas e casas no Cabo e em pelo menos duas outraslocalidades próximas. "Não sabemos o número exato de lojas saqueadas e queimadas,mas foi um monte", disse o chefe regional de polícia BillyJones, acrescentando que um somali morreu, mas ainda não sesabe se o caso está relacionado às agressões xenófobas. A polícia diz que 200 pessoas, a mais jovem de 13 anos,foram detidas por saques e posse de bens furtados desde a noitede quinta-feira. Cerca de 1.200 estrangeiros estão sob proteçãoem abrigos temporários. Durante a madrugada, um homem do Malauí foi baleado emDurban e três outros estrangeiros foram esfaqueados naProvíncia do Noroeste. O governo de Moçambique disse que cerca de 13 mil migrantese suas famílias saíram da África do Sul, e que algunssul-africanos começam a deixar Moçambique com medo derepresálias. O Malauí disse que começou a retirar cerca de 850cidadãos seus da África do Sul. Estima-se que haja 5 milhões de estrangeiros (sendo 3milhões de zimbabuanos) entre os 50 milhões de habitantes daÁfrica do Sul. (Reportagem adicional de Gordon Bell em Johanesburgo,Charles Mangwiro em Maputo, Mabvuto Banda em Lilongwe, GeorgeObulutsa em Arusha, Felix Onuah em Abuja e Conor Sweeney emMoscou)

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