Andrew Medichini/AP
Andrew Medichini/AP

Schettino perde apelação e cumprirá 16 anos de prisão 

O ex-capitão do Costa Concórdia foi condenado originalmente em 2015 por homicídio culposo, causar um naufrágio e abandonar seus passageiros; ele aguardou na porta do presídio o anúncio do veredicto

O Estado de S. Paulo

12 Maio 2017 | 15h25

ROMA - A Corte de Cassação da Itália, a mais alta instância judicial do país, confirmou nesta sexta-feira a condenação a 16 anos de prisão contra o capitão do cruzeiro Costa Concórdia, Francesco Schettino. Com isso, o responsável pela trágica viagem, em 2012, que matou 32 pessoas cumprirá a pena em regime fechado. 

O ex-capitão, em liberdade durante todo o processo, foi condenado originalmente em 2015 por homicídio culposo, causar um naufrágio, abandonar seus passageiros e não ter informado imediatamente às autoridades portuárias sobre a colisão. 

 Após a decisão da Corte, Schettino se apresentou no novo complexo da penitenciária romana de Rebibbia, em cujas portas tinha esperado a sentença do Supremo, para começar a cumprir sua pena, sem esperar as 48 horas nas quais a ordem de encarceramento se torna vigente. Sua intenção, segundo os meios de comunicação, seria evitar as prisões de Nápoles, de onde é natural, por seu estado de superlotação, mas ainda não se sabe por enquanto se cumprirá a pena no presídio romano, de acordo com as mesmas fontes.

Schettino, de 56 anos, ficou conhecido na Itália como “o capitão covarde” por ter abandonado o navio durante o naufrágio. Na época do acidente, gravações entre ele e o chefe da Capitania dos Portos na Ilha de Giglio, Gregorio De Falco, mostraram o capitão sendo duramente cobrado. “Volte a bordo, c.”, gritou o oficial quando ouviu, do próprio Schettino, que havia deixado o Concórdia.    Falco exigia que Schettino voltasse ao navio para comandar a saída dos passageiros que continuavam no Costa Concórdia, mas ele não voltou e passou a noite em um hotel da ilha italiana.

O navio de cruzeiro com 4.229 pessoas a bordo naufragou em 13 de janeiro de 2012 a poucos metros da Ilha de Giglio, após bater em pedras porque estava navegando muito próximo da costa. Apenas em 2014, a embarcação foi retirada do local do naufrágio, após diversas operações.

Schettino foi preso no dia seguinte ao naufrágio e alegava que havia caído em um dos botes e não abandonado o navio. No fim de 2013, um tripulante prestou depoimento afirmando que o capitão deixou a embarcação voluntariamente. Em dezembro de 2014, uma gravação mostrou o ex-capitão esperando por um bote, desmentindo sua versão.

A imprensa italiana divulgou a gravação do corpo de bombeiros feita durante a noite do naufrágio, na qual é possível ver Schettino vestido com seu traje de comandante esperando junto a outras pessoas pela chegada de um bote salva-vidas enquanto o navio está completamente inclinado.

O vídeo será utilizado pela promotoria para desmentir que o capitão "caiu em um dos botes" em um movimento brusco da embarcação, como sustenta sua defesa, e por isso não pôde dirigir as tarefas de salvamento das centenas de passageiros que estavam a bordo. /AFP e EFE

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