Schlesinger: de confidente de Kennedy a crítico de Bush

Morto aos 89 anos na madrugada desta quinta-feira, 1, o historiador americano Arthur M. Schlesinger - conhecido como "professor dos democratas" - imprimiu sua marca na política dos Estados Unidos desde o governo de John F. Kennedy, do qual fazia parte, até suas recentes criticas à doutrina de guerra do atual presidente, George W. Bush.Schlesinger foi, por muito tempo, confidente pessoal da família Kennedy, que o prestigiava pela sua fidelidade e sabedoria. Além disso, escreveu mais de 20 livros sobre a política dos Estados Unidos, defendendo o liberalismo e apoiando os democratas.Embora o Liberalismo tenha entrado em decadência ao ponto de que poucos políticos ousarem usar esta expressão, as opiniões de Schlesinger continuaram liberais e influentes. Para historiadores ligados aos democratas, ele foi um tipo de professor graduado, valorizado por seu conhecimento profissional e seu passado.Nascido em Columbus, Ohio, e filho de historiador, Arthur Bancroft Schlesinger logo recebeu o nome do meio de seu pai, Méier. Schlesinger cursou a Phillips Exeter Academy em 1938 e se graduou na universidade de Harvard. Durante a Segunda Guerra Mundial, o intelectual enviou um relatório a Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA na época, e serviu como analista no Escritório de Serviços Estratégicos, da CIA. Schlesinger surgiu como historiador com a publicação do livro "The Age of Jackson", em 1945, quando tinha 27 anos. O livro oferecia uma interpretação da administração do governo de Andrew Jackson, destruindo o mito de que o país era um paraíso na igualdade de direitos.Como muitos liberais dos anos 40, Schlesinger tentou retomar o apoio ao plano econômico conhecido por New Deal com o início da Guerra Fria. Ele condenava o extremismo político.Em 1946, Schlesinger ajudou a levantar fundos para o movimento Americanos para Ação Liberal (do inglês, Americans for Democratic Action). Três anos depois ele publicou o livro "The Vital Center", que defendia a política liberal.Nos anos 50, Schlesinger se envolveu na política eleitoral apoiando Adlai Stevenson, de Illinois. Logo nos anos 60 mudou-se para apoiar Kennedy. Os liberais, no entanto, não eram a favor da decisão. Para Schlesinger, Kennedy era "bom e tinha preocupações inteligentes". Kennedy apontou Schlesinger como um assistente especial e um simbólico "mentor do governo". Após o assassinato de Kennedy, em 1963, o historiador deixou o governo do sucessor, Lyndon Johnson.Em 1998, Schlesinger se opôs às tentativas de tirar Bill Clinton do cargo de presidente e mais tarde criticou a doutrina de "guerra preventiva" de George W. Bush. "Creio que a idéia de uma América como ´juiz mundial´ - jurado e executor - é uma noção tragicamente equivocada", dizia o historiador.Schlesinger teve seis filhos, quatro de seu primeiro casamento, com Marian Cannon, e dois no segundo, com Alexandra Emmet.

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