Schroeder acredita em solução pacífica para crise iraquiana

A Alemanha está convencida de que a crise iraquiana ainda pode ser resolvida pacificamente, declarou hoje o chanceler Gerhard Schroeder. Ele acredita que as inspeções de armas realizadas por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) podem produzir um "desarmamento sustentável e verificável"."Nós temos de ter a coragem de lutar pela paz enquanto houver esperanças de que uma guerra pode ser evitada", disse Schroeder, durante discurso no Parlamento alemão, conseguindo uma salva de palmas dos legisladores. No entanto, a líder opositora Angela Merkel criticou a postura de Schroeder e pediu a ele que busque um compromisso na ONU.Alemanha, França e Rússia lideram a resistência a uma proposta de resolução apresentada por Estados Unidos e Grã-Bretanha, que daria ao presidente do Iraque, Saddam Hussein, um prazo muito curto para provar que se desarmou, ou enfrente as conseqüências de uma guerra.Os três países contrários à guerra insistem que os inspetores de armas da ONU necessitam de mais tempo para trabalhar no Iraque."Ao lado de nossos amigos franceses e também da Rússia, da China e da maioria do Conselho de Segurança (CS), estamos mais convencidos do que nunca de que o desarmamento do Iraque pode e deve ser obtido por meios pacíficos", disse Schroeder. "Ainda é possível solucionar pacificamente esta crise."Segundo o chanceler, os relatórios recentemente apresentados pelos chefes dos inspetores de armas da ONU Hans Blix e Mohamed el-Baradei mostram que o Iraque está cooperando "melhor e mais ativamente". Ele citou como exemplo a destruição dos mísseis Al-Samoud 2. "Nós conseguiremos chegar a um desarmamento sustentável e verificável com a ampliação dos regimes de inspeção", garantiu Schroeder, durante o discurso no qual apresentou um pacote de reformas para reativar a economia. "É por isso que era e ainda é nosso direito insistir na lógica da paz, em vez de ingressarmos na lógica da guerra."A firme posição de Schroeder em prol da paz abalou as relações entre Alemanha e Estados Unidos desde a campanha eleitoral do ano passado, quando o chanceler buscava a reeleição e fez da oposição à guerra uma das bases de sua campanha.Merkel, recebida em Washington por autoridades do alto escalão do governo George W. Bush no mês passado, voltou a criticar Schroeder durante o debate televisionado que se seguiu à apresentação do chanceler alemão."Nosso oponente não é o presidente norte-americano. Nosso oponente é Saddam Hussein", esbravejou Merkel em sua resposta ao discurso de Schroeder. "Nós nunca deveríamos deixar a opção militar como último recurso", disse a líder da oposição democrata-cristã.Edmund Stoiber, concorrente de Schroeder nas eleições do ano passado, acusou-o de nunca ter contribuído com nada para desarmar o Iraque. "Se fôssemos por você, nem inspetores de armas estariam hoje no Iraque", sugeriu.Angela Merkel pediu a Schroeder que tente curar as desavenças na ONU. "Apesar de tudo o que vem acontecendo, tente nos próximos dias obter uma solução que fortaleça as Nações Unidas e garanta finalmente que Saddam Hussein volte a temer o resto da comunidade internacional."

Agencia Estado,

14 de março de 2003 | 15h45

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