Schulz pede explicação dos EUA sobre espionagem

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, exigiu um "esclarecimento completo" dos Estados Unidos depois que uma reportagem apontou que Washington havia instalado aparelhos de escuta em escritórios da União Europeia, como parte de suas atividades de espionagem.

Agência Estado

30 Junho 2013 | 10h45

Segundo Schulz, se a notícia corresponder à realidade, isso poderia prejudicar as relações entre a UE e os EUA. "Estou profundamente preocupado e chocado com a suspeita de espionagem de autoridades norte-americanas em escritórios da UE", afirmou, em nota. "Se as alegações se provarem verdadeiras, seria uma questão extremamente grave, que vai ter um impacto severo sobre as relações UE-EUA... Em nome do Parlamento Europeu, exijo esclarecimento completo e peço mais informações rapidamente das autoridades norte-americanas em relação a essas alegações."

Em edição publicada neste domingo, a revista alemã Der Spiegel informou que os EUA colocaram dispositivos de escuta no escritório de representação da União Europeia em Washington, se infiltraram em computadores do local e realizaram ciberataques em Nova York e Washington contra órgãos da UE. A publicação cita informações de documentos acessados por intermédio de Edward Snowden, o oficial de inteligência norte-americano que recentemente revelou detalhes do programa de vigilância operado pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos EUA, conhecido como PRISM.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, disse estar ciente dos relatos da imprensa e ter levantado a questão com as autoridades norte-americanas em Washington e Bruxelas. "Eles nos disseram que estão verificando a exatidão das informações divulgadas e nos darão uma resposta", disse Marlene Holzner, porta-voz da comissão. "Nós não faremos mais comentários nessa fase", acrescentou.

A ministra da Justiça da Alemanha, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, pediu neste domingo uma explicação imediata dos Estados Unidos sobre a reportagem. Para ela, o caso traz reminiscências da Guerra Fria. "Deve ser imediatamente e amplamente explicado pelo lado norte-americano se os relatos da mídia sobre medidas completamente desproporcionais de vigilância dos EUA à UE são precisas ou não", afirmou Sabine, em comunicado. Fonte: Dow Jones Newswires.

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