AP Photo/Victor R. Caivano
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Scioli convoca indecisos; há indefinição sobre 2º turno na Argentina

Governista repetiu promessas de campanha e atacou o concorrente Mauricio Macri, indicando que espera nova votação em novembro

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE

25 Outubro 2015 | 23h57

BUENOS AIRES - O governista Daniel Scioli foi o mais votado na eleição presidencial argentina deste domingo, 25, segundo pesquisas de boca de urna, à frente do conservador Mauricio Macri. Embora não houvesse dados oficiais de apuração até as 23h30, o representante kirchnerista convocou indecisos em seu discurso da vitória, indicando que espera um segundo turno com o conservador Mauricio Macri em 22 de novembro. Seria o primeiro da história.

Não havia festa no Luna Park, histórica casa de shows de Buenos Aires, que o kirchnerismo escolheu como base. Às 23 horas (meia-noite no Brasil), um Scioli de semblante cansado repetiu promessas de campanha. “Se fosse por Macri, não teríamos a bolsa universal por filho”, disse, referindo-se ao principal plano social de Cristina Kirchner, que paga a desempregados uma quantia por manter filhos na escola e vacinados. O ataque a Macri foi outro sinal de que ele espera seguir em campanha.

Integrantes da coalizão de Scioli, governador da Província de Buenos Aires, não expuseram seus números oficialmente. Informalmente, previram uma vitória apertada em primeiro turno.

Na coalizão conservadora, os representantes de Macri foram mais enfáticos ao dizer que haverá nova votação. “Vamos representar essa massa que quer mudança”, disse Ernesto Sanz, representante do Cambiemos e possível de ministro de Justiça de Macri. O chefe de campanha de Macri, Marcos Peña, afirmou que a diferença entre os dois primeiros, segundo a boca de urna da coalizão, era menor do que a registrada na primária obrigatória de 9 agosto. Scioli obteve então 38,6% dos votos e o grupo de Macri chegou a 30%. Para ganhar em primeiro turno, Scioli deveria chegar a 40% e abrir 10 pontos sobre Macri.

Uma dúvida menor sobre o resultado da eleição foi dissipada logo após o encerramento da votação, às 18 horas. O ex-kirchnerista Sergio Massa, da coalizão UNA, ficou em terceiro, após ser favorito até o ano passado. 

Ele rompeu com o governo em 2013 e formou uma frente que ganhou a eleição parlamentar daquele ano. Com isso, barrou o projeto de mudança constitucional que permitiria a Cristina disputar um terceiro mandato. A terceira colocação foi confirmada por seu chefe de campanha, Alberto Fernández. Suas pesquisas que apontavam segundo turno entre Scioli e Macri. Ele não quis dizer se Massa apoiaria algum dos dois se for confirmada uma nova votação.

Um segundo turno na Argentina teria sido disputado em 2003 entre Néstor Kirchner e Carlos Menem, que desistiu do duelo. Kirchner chegou à presidência com 22% obtidos no primeiro turno (Menem teve 24%). Foi o começo de 12 anos de kirchnerismo. 

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