AFP / Daniel Vides
AFP / Daniel Vides

Scioli declara crise hídrica após críticas

Candidato kirchnerista, que governa área com 6 mil desabrigados pela chuva, regressa da Itália

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 20h29

Alvo da oposição por viajar à Itália enquanto a província que governa tem 40 municípios inundados e 6 mil habitantes desalojados, o candidato governista à presidência, Daniel Scioli, declarou nesta quinta-feira, 13, “emergência hídrica” e justificou, já de volta à Argentina, sua decisão.

“Depois da eleição (primária de domingo, quando teve 38,4% dos votos), com a avaliação de que a água estava baixando, viajei. Quando me informaram da ameaça do vento Sudeste (que eleva o nível do Rio da Prata e prejudica escoamento de rios menores) decidi voltar e em 24 horas cheguei”, afirmou na capital da Província de Buenos Aires, La Plata, após reunir-se com secretários. 

Scioli passou cinco horas na Europa e 26 horas nos voos de ida e volta. Disse que o estresse da campanha causou dores que exigiam uma consulta médica – uma vez por ano, ele ajusta na Itália a prótese que usa desde que perdeu o braço direito em uma corrida de lancha em 1989. Ele também teria reuniões com políticos e empresários.

Após culpar as mudanças climáticas pela intensidade das chuvas, acusou os rivais na disputa pela presidência de “demagogia”. O principal opositor, Mauricio Macri, cujo grupo teve 30% na prévia, prefeito de Buenos Aires, enviou ajuda a cidades atingidas. O ex-kirchnerista Sergio Massa (sua coalizão teve 20,6%) acusou Scioli de gastar em publicidade o que deveria ir para obras nas bacias dos rios. 

A presidente Cristina Kirchner cancelou um ato em que receberia uma homenagem para reunir sua equipe e anunciar recursos para os atingidos, cerca de 10 mil. Sua ação foi interpretada como reprovação a Scioli por parte dos analistas políticos, que discutem o efeito na campanha. Eleitores publicam na internet outdoors de Scioli parcialmente cobertos pela água, mas a votação ocorrerá somente em 25 de outubro, o que tende a dispersar a indignação. O nível da água começou a baixar nesta quinta-feira e a previsão é de sol no fim de semana.

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