Louis Lanzano/AP
Louis Lanzano/AP

Scotland Yard amplia inquérito dos grampos e investiga outros jornais

Polícia apura o envolvimento de 305 jornalistas de 32 publicações na compra de dados confidenciais

Reuters, AFP e AP, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

A Scotland Yard anunciou ontem que ampliou a investigação sobre irregularidades cometidas por jornalistas e empresas de comunicação na Grã-Bretanha. Com isso, a polícia de Londres aumentou o alcance do caso, que deixa de ser apenas sobre o escândalo dos grampos do tabloide News of the World e se transforma em um inquérito sobre a venda de informações privadas, que afeta outros jornais do país.

 

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A polícia pediu ao Escritório do Comissário da Informação (ICO, na sigla em inglês) os arquivos da Operação Motorman, concluída em 2006, sobre a compra de informações privadas por jornalistas britânicos.

O ICO, órgão que regula a liberdade de informação no país, enviou os documentos que serviram de base para um relatório que registra cerca de 5 mil casos em que 305 jornalistas pagaram por dados privados, violando a Lei de Proteção à Informação.

A lista de veículos de comunicação envolvidos tem 32 publicações - 21 jornais e 11 revistas. No topo estão os tabloides Daily Mail, que teria feito 952 pedidos de informações confidenciais, o Sunday People, com 802, e Daily Mirror, com 681. Entre os jornais, na parte de baixo da relação, estão alguns dos mais tradicionais da Grã-Bretanha, como The Times e The Observer, este publicado pelo Guardian Media Group.

O pivô do caso foi o investigador particular Steve Whittamore, que servia de ponte entre os jornalistas e uma rede de informantes que atuava em órgãos do governo e empresas que prestam serviços públicos.

O esquema era simples. Whittamore tinha amigos dentro da Secretaria do Trabalho, que lhe davam acesso a todo o banco de dados do sistema de segurança social britânico. No Departamento de Licenciamento de Veículos, ele tinha duas fontes que lhe passavam qualquer detalhe sobre os proprietários de carros.

Em algumas delegacias de Londres, agentes lhe vendiam registros criminais. Da mesma forma, na British Telecom (BT), maior operadora de telecomunicações do país, ele obtinha o endereço residencial e o número de telefone de qualquer um, de jogadores de futebol a testemunhas de crimes importantes, cujas identidades deveriam ser mantidas em segredo.

O esquema de Whittamore ficou famoso na ocasião porque ele foi desmontado pela Operação Motorman. Em 2005, o detetive foi condenado a 2 anos de prisão, que cumpriu em liberdade condicional.

Em entrevistas, Whittamore disse que foi usado como bode expiatório, que era apenas um entre vários detetives que vendiam informações e reclamou que os jornalistas que requisitavam as informações nunca foram punidos.

Os grupos de comunicação envolvidos alegam que os jornalistas agiram dentro lei e garantem que os pedidos foram feitos apenas para informações que tinham interesse público.

Sue Akers, vice-comissária assistente da Scotland Yard, disse ontem que a polícia já tem registros de 3,8 mil nomes, 5 mil números de telefones fixos e 4 mil números de celulares que foram usados em práticas ilegais. Até o momento, apenas 170 pessoas foram informadas que estão envolvidas no caso.

Demissão. Um jornalista veterano do jornal The Sun foi demitido ontem, em meio ao escândalo dos grampos telefônicos do extinto News of the World. Ambos tabloides pertencem ao grupo de Rupert Murdoch. Em um comunicado, a News Corporation confirmou que o editor Matt Nixson foi demitido por suas ligações com o News of the World, onde o jornalista tinha trabalhado.

 

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