Scotland Yard chega para investigar morte de Benazir Bhutto

Investigadores britânicos desembarcam em Islamabad; oposição pede missão da ONU para apurar o assassinato

Agências internacionais,

04 de janeiro de 2008 | 07h37

Um grupo de cinco investigadores britânicos da Scotland Yard chegou nesta sexta-feira, 4, a Islamabad para tentar esclarecer o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, segundo informou uma fonte diplomática.   Veja também: Vídeo e análise com Roberto Godoy Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Blog do Guterman: Guerra civil à vista    A equipe se reunirá em breve com representantes do Ministério de Interior. Ainda não se sabe por quanto tempo os investigadores permanecerão no Paquistão para investigar a morte de Benazir, disse uma fonte da missão diplomática britânica em Islamabad, citada pelo canal de TV Dawn. O grupo da Polícia Metropolitana Antiterrorista britânica deixou o aeroporto sem falar à imprensa.   O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou na quarta-feira a ajuda da Scotland Yard na investigação do atentado. Ele afirmou ainda a sua "convicção" de que os responsáveis são os líderes radicais paquistaneses Fazlullah e Baitullah Mehsud, supostamente ligados à rede terrorista Al-Qaeda.   Musharraf também considerou "sem fundamentos" as acusações que Benazir deixou por escrito. Ela apontou o presidente como "responsável" pela sua morte, por ignorar as advertências de que membros dos serviços de inteligência queriam matá-la.   O Partido Popular do Paquistão (PPP), que era liderado pela ex-premiê, não se conforma apenas com a investigação da Scotland Yard e exige uma missão da ONU. O modelo apontado é a comissão sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. Mas Estados Unidos e França são contra a idéia, por não haver suspeitas de envolvimento de outro país. "Não confiamos nas investigações governamentais, que podem confundir as pessoas e o nosso partido", disse um membro do PPP em Karachi, Naveed Shad.   O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, admitiu deficiências nas investigações do governo sobre a morte da ex-premiê, mas negou que a polícia tenha cometido falhas de segurança, questionando por que a líder oposicionista pôs a cabeça para fora de seu veículo mesmo sabendo das ameaças feitas contra ela. Em entrevista a jornalistas estrangeiros, Musharraf negou com veemência que o Exército ou as agências de inteligência do Paquistão estejam por trás da morte de Benazir, alegando que eles também são alvo da onda de atentados suicidas que já deixou 400 mortos em três meses.   O governo diz que Benazir morreu por causa dos ferimentos sofridos ao bater na alavanca do teto solar do veículo em que estava, mas membros do opositor PPP dizem que ela foi morta a tiros. Um suicida disparou na quinta-feira contra o veículo de Benazir e em seguida detonou uma bomba após a ex-premiê discursar em um comício na cidade de Rawalpindi. O atentado provocou distúrbios que deixaram quase 60 mortos em todo o país e prejuízos de US$ 1,3 bilhão na Província de Sindh, a mais afetada. A morte de Benazir e os distúrbios também levaram ao adiamento, por seis semanas, das eleições parlamentares - remarcadas para 8 de fevereiro.

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