Scotland Yard foi alarmista, diz <i>Financial Times</i>

O editorial desta sexta-feira no diário econômico britânico Financial Times afirma que a declaração da Scotland Yard sobre o suposto plano para explodir aviões decolando de Londres foi alarmista, "mesmo que verdadeira". "Jornalistas - e terroristas - são perfeitamente capazes de disseminar hipérboles sem a ajuda da polícia. A resposta mais poderosa ao terrorismo é não se aterrorizar", escreveu o editorialista do FT.A reação da polícia londrina, que classificou o plano de "assassinato em massa em uma escala inimaginável", foi repetida nesta sexta-feira em manchetes de jornais de todo o mundo.Para o Financial Times, existem duas reações corretas diante da ameaça terrorista: "Adotar uma política externa que sugue o apoio dos terroristas, sem ceder às exigências deles".A outra seria "um senso de proporção". O jornal lembra que, no ano passado, mais de 3 mil pessoas morreram nas estradas britânicas, mas elas continuaram abertas."Mesmo os piores atos de terrorismo fazem os seus maiores estragos com reações histéricas", conclui o jornal. Transporte aéreo Em uma manchete de duas páginas, o britânico The Daily Telegraph sintetiza a quinta-feira nos aeroportos britânicos como "Um dia de drama, caos e tristeza que vai mudar o transporte aéreo para sempre".De acordo com a reportagem, "a maior operação de segurança desde os ataques de 11 de setembro transformou em caos os planos de férias de milhares de passageiros". Segundo estimativas do Telegraph, cerca de 100 mil passageiros perderam ou tiveram os seus vôos atrasados. O diário afirma que as medidas de segurança começaram a ser postas em prática a partir da 1h de quinta-feira (21h de quarta-feira, em Brasília), e muitos funcionários de aeroportos foram acordados às 3h para traçar um plano de ação.Uma análise publicada na edição desta sexta-feira do Telegraph afirma que, depois da operação de quinta-feira, "os terroristas têm que voltar à estaca zero".De acordo com o analista Crispin Black, ex-consultor de inteligência do governo britânico, "nós temos que respirar fundo e agradecer às forças de segurança". Ele estima o número possível de mortos no suposto ataque em até 4 mil. Sem bagagem de mão O britânico The Times traz uma reportagem nesta sexta-feira que afirma que a proibição de bagagens de mão em aviões imposta temporariamente na quinta-feira pode se tornar permanente.De acordo com o diário, o ministro dos Transportes britânico, Douglas Alexander, deve participar de uma reunião com a Comissão Nacional de Segurança na Aviação para avaliar a idéia de não voltar a autorizar o embarque de bebidas e outros líquidos.Se o plano for aprovado neste encontro, afirma o jornal, ele entrará em vigor para todos os vôos a decolar da Grã-Bretanha e será apresentado às autoridades internacionais de aviação.Uma fonte entrevistada pelo Times afirmou acreditar que a aviação "nunca mais será como antes", depois da descoberta do plano londrino.No entanto, a proibição de malas de mão não deve ser suficiente. Para os especialistas em segurança entrevistados pelo diário, serão necessários novos equipamentos e tecnologias para checar a bagagem.Impacto econômico No também britânico The Guardian, uma notícia diz que a economia britânica pode ser duramente abalada pelo caso. A reportagem cita a queda de 5,5% nas ações da British Airways no pregão de quinta-feira e estima o prejuízo possível da empresa britânica em 40 milhões de libras esterlinas (R$ 163,7 milhões).Um analista da consultoria Grant Thornton afirmou que só os atrasos nos vôos provocados pelas medidas de segurança reforçada podem custar 10 milhões de libras por dia, se forem, em média, de cerca de três horas.No entanto, o analista entrevistado pelo Guardian salienta que os prejuízos podem "crescer dramaticamente", caso a renda com o turismo for perdida com o cancelamento de vôos do exterior e como resultado de uma queda no número de visitantes".Alguns economistas, no entanto, alertaram para o perigo de exageros na análise do impacto econômico do caso. Se o plano tivesse sido levado a cabo, "o impacto teria sido enormemente maior. O mercado aprendeu a reagir a dias como esse desde o 11 de setembro, e o choque deve ser curto", afirmou uma fonte do Guardian.

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