Scotland Yard pericia local do atentado contra Benazir Bhutto

Governo do Paquistão afirma que não influenciará nas investigações dos oficiais britânicos enviados ao país

Efe,

05 de janeiro de 2008 | 14h21

A equipe da Scotland Yard periciou neste sábado, 5, pela primeira vez o lugar onde Benazir Bhutto foi assassinada para reconstruir a seqüência dos fatos, em uma investigação que o governo paquistanês prometeu não interferir. Os cinco especialistas em antiterrorismo britânicos visitaram o parque de Liaqat Bath, em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad. A Scotland Yard examinou durante duas horas a área, que foi lavada com mangueiras após a morte de Bhutto e finalmente isolada por um contingente de forças policiais. Os especialistas conversaram com autoridades policiais da província do Punjab (leste) e tentaram reconstituir a seqüência dos fatos, segundo uma fonte policial entrevistada pelo canal de televisão Dawn. Os britânicos também visitaram uma delegacia de Rawalpindi para tirar fotografias do veículo blindado da ex-primeira-ministra, como confirmou uma fonte da Polícia à emissora Geo TV. O parque de Liaqat Bath foi isolado por um fraco cordão policial, enquanto os curiosos tentavam se aproximar e eram reprimidos pelos policiais. "Eles chegaram tarde para investigar a morte de Bhutto", disse um morador que discutia com os policiais. O governo do Paquistão prometeu que não vai tentar "influir" nas investigações da Scotland Yard e que não fará nenhum tipo de pressão sobre os investigadores britânicos, segundo uma fonte do Ministério do Interior consultada pela emissora Dawn. O grupo antiterrorista chegou na sexta-feira a Islamabad e se reuniu com quatro investigadores paquistaneses e três membros da delegação diplomática britânica no Paquistão para analisar a situação. Os britânicos, que ainda não se pronunciaram à imprensa, têm a difícil tarefa de esclarecer o assassinato, já que a família da líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), Benazir Bhutto, se opõe à exumação de seu corpo. A secretária de Informação do PPP, Sherry Rehman, em entrevista publicada na edição deste sábado do jornal The News, afirmou que seu partido colaborará com a Scotland Yard, mas ainda insistiu em uma investigação da ONU. Enquanto isso, o governo decidiu declarar como "sensíveis" os focos de violência em 36 localidades das quatro províncias do país durante o mês sagrado do Muharram, que começa entre quinta e sexta-feira. O Exército e as forças paramilitares estarão em estado de alerta para "ajudar" as autoridades civis, segundo uma fonte do Interior entrevistada pela Dawn. Será depois do mês do Muharram, no dia 18 de fevereiro, que serão realizadas as eleições legislativas paquistanesas, adiadas pelo presidente do país, Pervez Musharraf, após o assassinato de Bhutto. Eleições parlamentares Musharraf nomeou como novos membros da Comissão Eleitoral o magistrado Dastagir Shahani, do Tribunal Superior da província de Sindh (sul), e o juiz Jehan Zaib Rahim, do Tribunal Superior de Peshawar (capital da Província da Fronteira do Noroeste). Além disso, a missão da União Européia no Paquistão, que conta agora com 50 membros, se reuniu com o presidente da Comissão Eleitoral, Qazi Muhammad Farooq, que prometeu "eleições livres e transparentes" aos observadores, de acordo com uma fonte da Comissão consultada pela Dawn.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoReino UnidoBenazir Bhutto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.