Natacha Pisarenko/ AP
Natacha Pisarenko/ AP

Se chapa vencer, quem comandará Argentina: Alberto Fernández ou Cristina Kirchner?

Ex-presidente e líder do kirchnerismo surpreendeu a todos quando anunciou que disputaria a vice-presidência

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 12h01

BUENOS AIRES - A possível volta do peronismo à Casa Rosada levanta dúvidas sobre quem exercerá realmente o poder na Argentina se a chapa vencer: Alberto Fernández ou a mentora de sua inesperada candidatura, a ex-presidente Cristina Fernández? E há ainda outra questão: como ficará a relação entre eles já que, até pouco tempo, ela estava estremecida?

A duas vezes presidente (2007-2015) e atual senadora tem sido a principal líder política de oposição desde que Mauricio Macri, aspirante à reeleição, assumiu o Executivo no fim de 2015. A maioria dava como certo que Cristina tentaria voltar à Casa Rosada este ano, apesar de ter perdido parte do apoio popular em razão das polêmicas de sua gestão e os casos judiciais aos quais responde na Justiça por suposta corrupção.

Mas a líder do kirchnerismo surpreendeu a todos em maio ao anunciar que iria disputar a vice-presidência e lançaria como candidato ao cargo principal Alberto Fernández, ex-chefe de gabinete de seu governo, o qual deixou em razão de várias divergências.

Situação inédita

A inédita situação de uma candidata à vice escolhendo alguém para encabeçar uma fórmula eleitoral logo levantou a ideia de que, em caso de vitória, seria Cristina e não Fernández quem mandaria no país, uma hipótese que o próprio governo alimentou nesta campanha.

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“Se Fernández ganhar, ganhará Cristina e ela governará. Quem tem poder nesse lugar é Cristina Kirchner, não tenham dúvida”, advertiu em um comício Miguel Ángel Pichetto, candidato a vice-presidente de Macri e que foi pivô do kirchnerismo no Senado durante os governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina.

O peronista Frente de Todos, que lidera as pesquisas realizadas até agora, rejeita essa tese, mas alega que Cristina não será uma mera figura institucional. “Em um governo, quem toma as decisões é o presidente, mas não vou descartar Cristina porque ela é muito valiosa”, afirmou Fernández.

Opiniões divididas

Na sociedade, as opiniões estão divididas. De acordo com uma sondagem das consultorias D'Alessio IROL e Berensztein feita no início de outubro, 74% dos eleitores de Macri acreditam que quem governará será Cristina, enquanto 7 em cada 10 eleitores do peronismo defendem que será Fernández o líder de fato.

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Segundo a pesquisa, quando se observa o universo total do eleitorado, 45% acredita que será Cristina quem exercerá o poder, e 41% pensa que será Fernández. 

Na imprensa local, há todo tipo de especulação sobre se a chefe política de Fernández desde o fim de 2007 até a sua renúncia como coordenador do gabinete de ministros, em meados de 2008, terá poder virtual de veto nas decisões do chefe de Estado e interferência na formação do governo.

Para o analista Patricio Giusto, diretor da consultoria Diagnóstico Político, Cristina se manterá na posição de presidente do Senado, função que cumprem os vices na Argentina por mandato constitucional.

A prioridade de Cristina, segundo Giusto, serão seus filhos, Máximo y Florencia, ambos afetados pelos escândalos de suposta corrupção. Florencia, inclusive, tem problemas de saúde e faz tratamento em Cuba.

Mesmo assim, o analista avalia que haverá uma convivência “muito tensa” entre Cristina e Fernández. 

De qualquer forma, o Frente de Todos - se vencer domingo - chegará ao poder como um mosaico de correntes diversas do peronismo. / EFE

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