AFP PHOTO / FRANCOIS NASCIMBENI
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'Se Macron ganhar a França que conhecemos desaparecerá', diz Le Pen

Em entrevista à emissora 'RTL', candidata da extrema direita disse que submissão de Macron à Angela Merkel na questão da imigração prejudicará o país; líder da Frente Nacional foi vaiada por manifestantes em visita a catedral em Reims

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 10h43

PARIS - A candidata ultradireitista às eleições presidenciais, Marine Le Pen, advertiu nesta sexta-feira, 5, que a vitória de seu rival, Emmanuel Macron, no próximo domingo vai representar "o desaparecimento da França como o conhecemos".

Le Pen insistiu, em entrevista para a emissora "RTL", que seu "objetivo é ganhar esta eleição", ao ser perguntada sobre os comentários de alguns de seus apoios que ficariam satisfeitos se ela finalmente tiver 40% dos votos no segundo turno, como preveem as pesquisas.

Ela acrescentou que a vitória de Macron significará "o desaparecimento (da França) em razão da migração, à qual não se oporá por sua submissão à política de (Angela) Merkel (a chanceler alemã), de dano social, de ultraflexibilidade, que será a guerra de todos contra todos".

A líder extrema direitista justificou a dureza e o tom usado do debate com Macron na quarta-feira passada. "O que ninguém entre os jornalistas quis ouvir é que minha palavra não é mais do que o eco da violência social que vai explodir no país. A terrível agressividade é a do programa de Emmanuel Macron", argumentou.

Marine acrescentou que há "dois projetos de sociedade que se enfrentam: "O meu é um projeto de proteção e um projeto de desregulação, de globalização sem limites. Eu tenho o monopólio da proteção do povo. Emmanuel Macron é o candidato da elite, da oligarquia. Seu projeto pretende agravar a situação do povo".

Vaias. Nesta sexta, Le Pen foi vaiada nesta por militantes de esquerda durante uma visita à catedral de Reims, no nordeste do país, em um ato público a poucas horas do encerramento da campanha.

A líder do partido Frente Nacional (FN) programou de última hora uma visita a essa catedral - um lugar simbólico já que ali eram tradicionalmente coroados os reis da França - e surpreendeu a todos, já que sua agenda para hoje só incluía entrevistas com meios de comunicação.

Em sua chegada, acompanhada do soberanista Nicolas Dupont-Aignan, sexto colocado do primeiro turno e que será seu primeiro-ministro em caso de vitória, a catedral foi desocupada, enquanto um grupo de jovens, identificados como militantes de esquerda, começou a vaiar a candidata.

Os manifestantes gritaram palavras de ordem a favor do ex-candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, quarto colocado do primeiro turno, além de tentar impedir o acesso de Le Pen ao local.

Após meia hora no interior do templo, a candidata ultradireitista saiu por uma porta traseira a toda velocidade, mas sem livrar-se das vaias de um grupo mais reduzido de manifestantes que o que a recebeu na entrada principal. "Você não está em sua casa", gritaram os manifestantes em alusão ao lema da FN: "Estamos em nossa casa".

A cidade de Reims, capital da região de Champanha-Ardenas, votou majoritariamente no centrista Emmanuel Macron no primeiro turno, mas no departamento, essencialmente rural, quem terminou em primeiro lugar foi a líder ultradireitista. / EFE

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