Marcos Corrêa/PR
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Bolsonaro: 'Se não enfraquecer Exército da Venezuela, Maduro não cai'

Presidente brasileiro falou sobre crise venezuelana em formatura no Itamaraty e defendeu que militares entram em ação quando diplomacia falha

Daniel Weterman e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 14h39

BRASÍLIA - O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira, 3, que a única forma de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ser tirado do cargo é com o enfraquecimento do Exército daquele país.

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Não tem outra maneira. Se você não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai
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Jair Bolsonaro, após cerimônia de imposição de insígnias da Ordem de Rio Branco, no Itamaraty

Ele voltou a defender uma solução "de forma pacífica" para o país vizinho. "Se não tiver como, com um hipotético conflito, aí cada país decide se vai para as últimas consequências ou não", declarou.

No evento, destinado à formatura de diplomatas, Bolsonaro também afirmou que, quando a diplomacia falha, as Forças Armadas entram em campo. Ele negou que estivesse falando da Venezuela. "Quando acaba a saliva, entra a pólvora. Não queremos isso", declarou.

O presidente brasileiro disse que o País não enviou nenhum emissário à Venezuela para tratar da crise e que não tem nada para conversar com Maduro. Ele voltou a falar que, neste momento, sua maior preocupação é com a Argentina por causa da eleição no país e que a ação do Brasil nesse sentido se dará no limite das atribuições do Itamaraty.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que Guaidó avançou na última semana, ao convocar o povo às ruas para pressionar Maduro.

Bolsonaro afirmou, ainda, que o Itamaraty será "essencial" para o sucesso do projeto de seu governo. Ao se dirigir aos formandos, afirmou que eles não podem permitir que o Brasil "seja definido lá fora com base em interesses alheios" e devem "dar voz ao nosso povo e defender nossos valores".

"Trabalhem por um Brasil aberto aos grandes fluxos econômicos, Brasil capaz de se conectar ao grandes centro tecnológicos, de atrair investimentos, se de abrir ao mercado, defender democracia", afirmou.

O risco Buenos Aires

Na cerimônia de formatura o presidente voltou a manifestar "preocupação" com a eventual eleição de Cristina Kirchner na votação presidencial deste ano na Argentina. Ele comparou a vitória da ex-presidente à crise na Venezuela. Pesquisas mostram que ela ganharia do atual presidente, Mauricio Macri, se o pleito fosse hoje.

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Aproveito esse momento ímpar de ser ouvido pela querida, estimada e necessária imprensa para dizer que, além da Venezuela, a preocupação de todos nós deve voltar um pouco mais ao sul do continente, para a Argentina e por quem pode voltar a comandar aquele país. Não queremos, acho que o mundo todo não quer outra Venezuela mais ao sul do nosso continente
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Jair Bolsonaro, em discurso para novos diplomatas

Na quinta-feira Bolsonaro falou sobre o assunto em transmissão ao vivo no Facebook. "Ninguém aqui vai se envolver com questões de fora do nosso país. Mas, como cidadão, tenho a preocupação de que volte o governo anterior ao do [Mauricio] Macri", disse o presidente.

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