Se não houver paz, palestinos irão à ONU por reconhecimento de Estado

Diplomata revela que lideranças já se articulam para acionar Conselho de Segurança; EUA desaprovam

Agência Estado

19 de abril de 2011 | 19h10

NOVA YORK - Os palestinos planejam ir ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para reivindicar o reconhecimento de seu Estado caso não cheguem a um acordo de paz com Israel até setembro, disse nesta terça-feira, 19, Riyad Mansour, o principal diplomata palestino no órgão internacional. 

 

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Segundo o diplomata, que concedeu entrevista à AP, as lideranças palestinas devem ir ao Conselho com apoio e argumentos para tentar fazer com que o organismo recomende a admissão da Palestina como novo membro do órgão. Para isso, porém, seria necessário convencer os EUA, forte aliado de Israel, a não vetarem uma resolução que apoia o reconhecimento de um Estado palestino independente, o que não será fácil.

 

Mansour ainda disse que há outras opções para se chegar ao objetivo através da ONU. Segundo ele, o mês de setembro é importante para os palestinos porque "há muitas coisas que vão convergir".

O diplomata detalhou os fatores que podem favorecer os palestinos em sua empreitada na ONU. Segundo Mansour, o governo de Israel e as lideranças palestinas concordaram com o mês de setembro como o prazo estabelecido pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para um acordo de paz, data endossada pela União Europeia e pela maior parte do mundo. Além disso, o programa de dois anos para a construção da infraestrutura do Estado palestino estará completo e os palestinos esperam que dois terços dos 192 Estados-membros da ONU tenham reconhecido a Palestina como um Estado independente, disse.

 

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, disse, porém, que o governo de Barack Obama não acredita que a declaração unilateral da formação de um Estado palestino ou as tentativas de fazer com que o Conselho de Segurança endosse o novo país sejam "uma boa ideia". "Eu não quero prever como vamos votar" numa resolução do conselho, disse Toner, "mas não enxergamos a medida como um passo útil".

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