Andrew Harnik/AP
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Se não nos coordenarmos, pessoas vão morrer, diz Biden sobre dificuldade em transição

Em discurso, presidente eleito falou sobre a resistência enfrentada e a falta de cooperação do governo Trump com sua equipe de transição e como ela pode prejudicar a vacinação contra a covid-19 nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 17h48
Atualizado 16 de novembro de 2020 | 18h33

WILMINGTON, EUA - Em um discurso para abordar seus planos para a recuperação econômica dos Estados Unidos, o presidente eleito, Joe Biden, disse nesta segunda-feira, 16, que a falta de coordenação do governo Trump com sua equipe de transição pode atrasar a distribuição de vacinas contra a covid-19 e "pessoas podem morrer". 

Ele expressou frustração com a recusa de Trump até agora em cooperar no processo de transição da Casa Branca, dizendo que "mais pessoas podem morrer" sem coordenação imediata no combate à pandemia do coronavírus

"Mais pessoas podem morrer se não coordenarmos" em questões como a distribuição de vacinas contra a covid-19 aos americanos o mais rápido possível", Biden disse a repórteres em Wilmington quando questionado sobre qual é a maior ameaça da obstrução de Trump a uma transferência tranquila de poder. 

“Se tivermos de esperar até (o dia da posse) 20 de janeiro para começar esse planejamento, isso nos atrasará por um mês, um mês e meio”, disse Biden. "E, portanto, é importante que haja coordenação agora - agora ou o mais rápido possível."

O ex-vice-presidente também disse que a “única razão pela qual as pessoas estão questionando” a segurança de uma futura vacina “é por causa de Donald Trump” e assegurou que “não terá dúvidas” de tomá-la.

O democrata afirmou que era "uma ótima notícia" que as vacinas de duas empresas - Moderna e Pfizer - tenham mostrado eficácia "superior a 90%" durante os testes recentes. "Mas obter a vacina e fazer a vacinação, no entanto, são duas coisas diferentes."

O discurso de Biden se concentrou na necessidade de conter o vírus a fim de colocar a economia de volta nos trilhos, bem como garantir que os trabalhadores e as empresas possam operar com segurança. Seus comentários abordaram temas gerais sobre a saúde econômica do país e seus planos para melhorar o crescimento e a igualdade no curto e longo prazos.

Necessidade de estímulo

Biden disse hoje que a economia necessita “rapidamente” de um estímulo para enfrentar os efeitos da crise sanitária. Ele indicou que os mais ricos e as principais companhias do país deveriam “pagar sua justa parte” em impostos. Segundo o presidente eleito, um novo plano de estímulo é fundamental para ajudar a economia em meio a um aumento do número de contágios de covid-19, pois as coisas “ficarão mais difíceis”.  

Ele acrescentou que seu plano econômico criará 3 milhões de postos de trabalho “bem pagos” e aumentará o salário mínimo a US$ 15 a hora. “Nosso plano é criar milhões de postos de trabalho bem remunerados na indústria, na produção de automóveis e tecnologia, que necessitaremos no futuro para sermos competitivos com o restante do mundo”, disse.

O democrata pediu que o Congresso se reúna e aprove um novo pacote de ajuda econômica para fazer frente aos impactos provocados pelo coronavírus. Ele reforçou aos parlamentares de ambas as Casas que aprovem um pacote semelhante ao que foi aprovado pela Câmara em maio e depois revisado em outubro.

“Assim que acabarmos com o vírus e oferecermos alívio econômico aos trabalhadores e às empresas, poderemos começar a reconstruir melhor do que antes”, disse Biden. Ao mesmo tempo em que o país vê um salto no aumento no número de casos e mortes por coronavírus, é tomado por um otimismo em relação a uma vacina.

'Esquina sombria'

Biden disse que os líderes empresariais com os quais falou nesta segunda-feira mais cedo concordaram que quanto mais cedo sua equipe obtiver acesso ao plano de distribuição de vacinas do governo Trump, "mais cedo essa transição ocorrerá sem problemas".

Antes dos discursos de Biden e de sua vice, Kamala Harris, eles conversaram com líderes empresariais e sindicais para discutir a recuperação, incluindo Mary Barra, executiva-chefe da General Motors; Sonia Syngal, executiva-chefe da Gap; e Satya Nadella, chefe da Microsoft. Entre os líderes sindicais, estavam Richard Trumka, da AFL-CIO, e Rory Gamble, presidente da United Auto Workers.

“Para afirmar o óbvio, parece que estamos virando uma esquina bastante sombria agora”, disse Biden no briefing, de acordo com um comunicado distribuído pela equipe de transição. Observando que existem visões diferentes sobre como reviver a economia, ele acrescentou: “Todos concordamos com os objetivos comuns, apenas temos uma perspectiva ligeiramente diferente”./COM AFP e W.POST

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