Michail Klimentyev/Sputnik/Kremlin
Michail Klimentyev/Sputnik/Kremlin

Se Rússia quisesse envenenar Navalni, ele estaria morto, diz Putin

Presidente admitiu que rival é vigiado pelo serviço secreto do país, mas negou qualquer tentativa de matá-lo; opositor foi envenenado com agente nervoso do período soviético

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 12h12

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta quinta-feira, 17, que seu  principal opositor, Alexei Navalni, não foi envenenado por seus serviços especiais porque, do contrário, estaria morto.

"O paciente da clínica de Berlim tem o apoio dos serviços especiais americanos. E, por isso, deve ser vigiado pelos serviços especiais. Mas isso não significa que ele tivesse de envenená-lo", disse Putin, que se nega a pronunciar o nome de Navalni. "Se quiséssemos isso [a morte de Navalni], então se teria sido feito o necessário", afirmou em sua entrevista coletiva anual.

Alexei Navalni passou mal durante um voo da Sibéria para Moscou em agosto. Ele foi transferido da Rússia para a Alemanha no dia 22 do mesmo mês. De acordo com análises de sangue e urina colhidas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), foram identificados biomarcadores com "características estruturais similares às dos químicos tóxicos pertencentes" ao grupo Novichok, um agente nervoso desenvolvido na antiga União Soviética. Segundo os assessores, ele teria sido envenenado ao beber água em um hotel.

O presidente russo rejeitou uma recente investigação divulgada por vários meios de comunicação, entre eles o site Bellingcat, a rede CNN e Der Spiegel, a qual atribui a responsabilidade do envenenamento ao FSB, os serviços secretos russos, herdeiros da KGB.

"Isso não é uma investigação, mas a legitimação de conteúdos (elaborados) pelos serviços especiais americanos", afirmou.

De acordo com a investigação, baseada na análise de dados por telefone e de vazamento de informação on-line na Rússia, agentes do FSB, especializados em armas químicas, seguiram o opositor desde 2017.

Eles também estiveram presentes na cidade siberiana de Tomsk, no dia 20 de agosto, onde aconteceu o envenenamento, segundo a investigação. A matéria não estabelece, porém, qualquer contato direto entre esses agentes e Navalni, nem qualquer prova de que se tenha passado para a ação, ou de alguma ordem dada nesse sentido./ AFP

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