Martin Alipaz / EFE
Martin Alipaz / EFE

Se voltar, Evo Morales responderá à Justiça, diz presidente interina da Bolívia

Ex-mandatário reitera que sofreu golpe de Estado e afirma estar cogitando uma volta ao seu país ou uma viagem à Argentina

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 14h27

LA PAZ - A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, disse nesta sexta-feira, 15, que o ex-presidente Evo Morales pode voltar ao país de seu exílio no México, mas, caso retorne, deverá "responder à Justiça" por irregularidades nas eleições de outubro e por "denúncias de corrupção".

"(Evo) Foi sozinho" e, se voltar, "sabe que tem que responder à Justiça. Há um crime eleitoral, há muitas denúncias de corrupção em seu governo", afirmou Jeanine, em sua primeira reunião com a imprensa estrangeira no Palácio Quemado de La Paz, três dias depois de se autoproclamar presidente interina.

Evo, por sua vez, reiterou que sofreu um golpe de Estado e revelou estar analisando uma volta ao país ou uma viagem à Argentina. Na quinta-feira, o novo presidente Alberto Fernández disse que o boliviano poderá se asilar na Argentina depois de sua posse.

"Não perco a esperança de, a qualquer momento, voltar à Bolívia e, se me aproximar da Bolívia por meio da Argentina, melhor ainda", disse Evo, que está exilado no México desde terça, em entrevista à rádio El Destape, de Buenos Aires.

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O ex-presidente boliviano agradeceu o apoio de Fernández. "Estamos analisando. Esperamos que um pouco mais de tempo passe antes de voltar à Argentina ou à Bolívia para continuar essa luta contra a ditadura", afirmou.

Diferenças ideológicas

Evo disse entender as diferenças ideológicas com o atual presidente argentino, Mauricio Macri, que não descreveu o que aconteceu na Bolívia como um golpe de Estado, mas também não reconheceu as atuais autoridades do país vizinho.

O ex-chefe de governo negou ter fraudado as eleições de 20 de outubro, como alegam os opositores, e criticou o relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), que questiona a transparência do pleito.

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Presidente interina precisa obter reconhecimento, organizar eleições, além de estabilizar e reconstruir o país após semanas de protestos violentos; enquanto isso, ex-mandatário promete manter papel ativo na política boliviana

"A OEA aderiu ao golpe", denunciou Evo, que prometeu que demonstraria que o relatório do órgão foi feito para "beneficiar as classes dirigentes".

"Tenho muita esperança de que, com a participação de organizações internacionais, como as Nações Unidas, possamos iniciar o diálogo de pacificação", disse. “Há uma porta aberta para pacificar a Bolívia. Se meu povo me pedir para voltar, estou disposto a retornar, mas com as garantias correspondentes", esclareceu.

Voltando à normalidade

La Paz recuperava lentamente a tranquilidade nesta sexta depois de o governo de transição começar a dialogar com a oposição para destravar a grave crise política que atinge a Bolívia.

Apesar de não haver mais cenas de confrontos nas ruas da capital, as escolas seguem fechadas e ainda há escassez de combustível em razão das interrupções no abastecimento.

“Esta é uma etapa de transição. Vamos fazer os maiores esforços para que o país retorne à normalidade”, disse Jeanine Áñez a jornalistas nesta sexta. / AFP, EFE e REUTERS

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