Secretária de Kirchner será ouvida em juízo

Miriam Quiroga denunciou entrega de sacolas de dinheiro no palácio presidencial

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2013 | 02h00

A secretária de Néstor Kirchner, Miriam Quiroga, que no domingo denunciou a entrega de "pesadas sacolas de dinheiro" ao ex-presidente argentino na Casa Rosada por parte de empresários, será convocada pelo juiz federal Julián Ercolini para prestar depoimento.

Miriam sustenta que a presidente Cristina Kirchner tinha conhecimento das sacolas, recebidas, segundo ela, por secretários e ministros de Kirchner. O depoimento de Miriam deve ocorrer nas próximas semanas.

Em declarações ao programa investigativo Jornalismo Para Todos, do canal Trece, Miriam também citou o envolvimento do empresário Lázaro Báez, sócio do casal Kirchner em vários empreendimentos imobiliários e dono de uma empreiteira que realizou a maior parte das obras públicas da Província de Santa Cruz. Segundo Miriam, Báez estava presente na entrega das sacolas.

Miriam diz que as sacolas de dinheiro, após passarem pelo palácio presidencial, eram levadas para a cidade de Río Gallegos ou para o vilarejo de El Calafate, reduto político dos Kirchners.

Um dos nomes citados por Miriam é o de Daniel Muñoz, ex-secretário do presidente Kirchner. Muñoz foi denunciado em 2009 por enriquecimento ilícito, já que sua declaração de bens indicou crescimento de 11.000% de seu patrimônio desde 2003, ano em que se tornou secretário presidencial.

O advogado Alejandro Fargosi, membro do Conselho da Magistratura - organismo que escolhe juízes federais e suas eventuais punições -, pediu ao promotor Guillermo Marijuán que faça uma blitz na casa dos Kirchners em El Calafate. "Se existem cofres, será preciso ver o que há dentro", disse Fargosi.

O governo mantém silêncio sobre o caso. No entanto, Cristina fez menção indireta ao assunto, afirmando em discurso que, "cada vez que se aproxima uma campanha eleitoral, surgem os escândalos", em alusão às eleições parlamentares de outubro.

Marijuán, que investiga o envolvimento de Báez em operações de lavagem de dinheiro, diz ter recebido ameaças de morte de um desconhecido, que no fim de semana lhe entregou um papel com os dizeres: "Não incomode mais. Eliminaremos você e sua família". Na segunda-feira, ele recebeu uma ameaça telefônica: "Sequestraremos e mataremos suas filhas".

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