Secretário da Comunidade Andina quer reunião contra crise

O secretário-geral da Comunidade Andina (CAN), Allan Wagner, espera se reunir com os presidentes dos países do bloco para encontrar uma solução à crise gerada pelo anúncio anuncio da saída da Venezuela. Wagner disse, ao chegar a Lima procedente de Bruxelas, que tomará "iniciativas do mais alto nível", entre elas uma reunião com os chefes de Estado do bloco, e pediu que fosse mantida a calma de modo a "encontrar as melhores opções diante desta situação". "São ações que estão em andamento e, como acabo de retornar, começarei a examiná-las amanhã (sábado)", afirmou. O secretário-geral confirmou que "se realmente for concretizada" a solicitação de retirada da Venezuela, deve-se aplicar o Acordo de Cartagena, com o qual se constituiu o antigo Pacto Andino, que em 1996 mudou seu nome para Comunidade Andina (CAN). Wagner reiterou, no entanto, que primeiro deve-se analisar "a situação atual" do organismo e as propostas que possam ser "construídas em conjunto para buscar um cenário melhor que uma retirada total" da Venezuela. "Esse é um grave problema que se apresenta, (mas) ainda não quero dar como definitivo esse cenário, veremos que outros cenários existem", manteve. O Governo de Hugo Chávez anunciou nesta quinta-feira sua intenção de deixar a CAN e buscar uma aliança com o Mercosul, mas antes deverá cumprir uma série de procedimentos estabelecidos pelo Acordo de Cartagena. Um porta-voz da Comunidade Andina disse que a Venezuela terá de "denunciar" o "máximo acordo" de constituição do antigo Pacto Andino, nome mantido pelo organismo até 1996, quando os cinco países integrantes (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) o denominaram Comunidade Andina. O artigo 113 do Acordo de Cartagena estabelece que "o país membro que desejar" denunciar o tratado deverá comunicar sua decisão à Comissão Andina. "Imediatamente, o país perde os direitos e as obrigações derivadas da sua condição de membro. Só serão mantidas as vantagens obtidas através do programa de Liberação, que permanecerão em vigor por um prazo de cinco anos", diz a norma. A Venezuela deve formalizar sua saída na próxima semana, na sede da CAN, em Lima, conforme anunciou em Caracas o vice-chanceler venezuelano para a América Latina, Pavel Rondón. Chávez afirmou hoje que a decisão é "irrevogável" e culpou os Estados Unidos pela destruição do mais antigo organismo de integração regional do continente. O presidente venezuelano acrescentou que pediu pressa para a entrada de seu país no Mercosul, uma união que deve ser recriada "com base na solidariedade entre os povos e a complementaridade econômica", disse o chefe de Estado. Chávez criticou o fato de setores venezuelanos e dos países andinos o responsabilizarem pela destruição da CAN, quando os culpados dessa situação são, segundo argumenta, o "império" e os países que concordaram em assinar tratados de livre-comércio com os Estados Unidos. O líder venezuelano disse ainda que reiterou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu desejo de um rápido ingresso da Venezuela no Mercosul, uma união que deve ser recriada "com base na solidariedade entre os povos e na complementaridade econômica". Críticas similares foram manifestadas pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, que aceitou, há duas semanas, convocar a uma cúpula presidencial após ter sido instado por Wagner. O secretário-geral disse, na ocasião, que os andinos se encontram "em um ponto em que é preciso valorizar e preservar o patrimônio comum da integração sub-regional". A Colômbia também concordou com a necessidade de tentar um relançamento da Comunidade Andina, enquanto o Peru iniciou uma série de diálogos para tentar uma solução para a crise.

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