AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Secretário da OEA denuncia golpe na Venezuela e defende reunião

Almagro, que foi ministro de Relações Exteriores do ex-presidente José Mujica, condenou as duas últimas decisões da Corte venezuelana contra o Parlamento controlado pela oposição

Cláudia Trevisan / CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 18h51

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, anunciou nesta quinta-feira, 30, que convocará uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da entidade para deliberar sobre a aplicação da Carta Democrática Interamericana à Venezuela.

Segundo ele, o governo de Nicolás Maduro praticou um "auto-golpe" com a suspensão da imunidade parlamentar e a transferência dos atribuições da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, ao Tribunal Supremo de Justiça, alinhado com o chavismo.

Até o fim da tarde de ontem, não havia definição sobre a data da reunião do conselho. Representantes de países membros da OEA passaram o dia em reuniões para discutir o próximos passos. A percepção era a de que a posição de Almagro ganhou força com acontecimentos de ontem, mas não estava claro se ele terá os votos suficientes para aplicar a Carta Democrática.

Caracas sofreu uma derrota na OEA na terça-feira, quando 20 dos 34 países da instituição votaram a favor de discutir a situação venezuelana e de definir, "no menor prazo possível", caminhos diplomáticos para a OEA atuar na crise do país. 

Mas o placar não significa que Almagro terá os votos suficientes para aprovar sua proposta. Entre os 20 membros da OEA que se posicionaram contra a Venezuela na terça-feira estão países que costumavam apoiar Caracas até então. Apesar de terem concordado com a discussão da crise e a atuação da OEA, não há garantia de que darão um passo mais drástico a favor da aplicação da Carta Democrática, que pode levar à suspensão da Venezuela da organização.

"O que aconteceu hoje (ontem) tomou todo mundo de surpresa e está sendo processado. Estamos fazendo consultas, mas não será tomada nenhuma medida precitada", disse o embaixador do Brasil na OEA, José Luiz Machado e Costa.

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