Secretário da ONU descarta reunião com premier palestino

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse no sábado que gostaria de retomar o processo de paz do Oriente Médio, em conversações com líderes israelenses ou palestinos, mas que não tem planos de se encontrar com o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas.Ao chegar a Israel para a sua primeira visita oficial como chefe da ONU, Ban disse que Estados árabes moderados e o chamado "Quarteto" de mediadores do Oriente Médio -- Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia -- estão pressionando pela retomada das negociações, há muito paralisadas."O nosso desafio é tecer esses fios juntos, formando um tecido de progresso tangível. Estou convencido de que há muitas metas comuns", afirmou.Ban se reuniu com o ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, na noite do sábado. Ele tem programada uma reunião com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, no domingo e com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, na segunda-feira."Digo que o meu itinerário não inclui desta vez um encontro meu com o primeiro-ministro Haniyeh", disse ele antes em uma coletiva à imprensa no Cairo.O Quarteto exige que o governo palestino reconheça Israel, renuncie à violência e aceite acordos de paz interinos com Israel.O programa do governo de unidade contém uma promessa de "respeitar" acordos anteriores entre israelenses e palestinos, mas não fala em reconhecer Israel e afirma que a resistência contra o Estado judeu em "todas as suas formas" é um direito legítimo.Além de se reunir com Abbas, Ban deve se encontrar com os ministros palestinos das Finanças, Salam Fayyad, e das Relações Exteriores, Ziad Abu Amr, que são independentes do Hamas.Relaxando ainda mais o boicote diplomático ao governo palestino, que já dura um ano, o ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt, manteve conversações com Abu Amr e Abbas na cidade de Ramallah, Cisjordânia. As sanções econômicas e sociais contra o governo palestino continuam em vigor."Observamos não apenas as palavras, mas também aos atos desse governo, enquanto ele avança", disse Bildt."De importância particular é, claro, que se criem condições para a retomada do processo de paz."O porta-voz do gabinete palestino, Ghazi Hamad, do movimento islâmico Hamas, criticou a decisão de Ban de não se encontrar com Haniyeh."(O fato de não se encontrar com Haniyeh) está errado porque esse é um governo de unidade nacional que representa todo o povo palestino e as Nações Unidas supostamente são uma organização que representa todos os países e não uma organização política", disse Hamad."Isso não contribui para criar uma atmosfera de estabilidade ... Esperamos que as Nações Unidas desempenhem um papel maior na criação de pontes entre as divergências e na abertura do diálogo entre países, e não adotem o estilo do boicote", acrescentou.

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