AP/Jeff Chiu
AP/Jeff Chiu

Secretário de Defesa dos Estados Unidos reforça apoio à manutenção do acordo nuclear com o Irã

Presidente Donald Trump se mostra hesitante à continuidade do tratado e países parceiros negam uma possível renegociação

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2017 | 15h57

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, reforçou seu apoio ao acordo nuclear com o Irã nesta terça-feira, 3, durante audiência no Senado, em Washington. A declaração vem antes do anúncio do presidente Donald Trump sobre a manutenção ou não do tratado. Mattis afirmou que o pacto deve ser mantido caso os Estados Unidos possam confirmar que o Irã está cumprindo as regras estabelecidas e que sua continuidade ainda é interessante para os americanos.

"A observação que eu faria é que, se nós pudermos confirmar que o Irã está cumprindo o acordo, se nós pudermos determinar que isso é do nosso melhor interesse, então claramente nós deveríamos mantê-lo", afirmou o secretário. Trump avalia se o tratado de fato serve aos interesses dos Estados Unidos, enquanto o prazo final para a confirmação de que Teerã está obedecendo ao pacto se aproxima.

Durante a audiência desta terça, Mattis foi questionado por um dos senadores se ainda considerava a negociação interessante para os interesses americanos com a segurança nacional. "Sim, eu considero", respondeu. A Casa Branca não fez nenhum pronunciamento a respeito das declarações do secretário. Caso o governo não se manifeste sobre o assunto até o dia 15 de outubro, cabe ao Congresso decidir, em 60 dias, se as sanções a Teerã serão reerguidas.

Tal situação levaria ao Congresso, que é controlado pelos Republicanos, a efetivamente decidir se o acordo se manterá ou não. Apesar de líderes do legislativo terem se negado a declarar seu posicionamento, políticos republicanos se uniram na oposição ao tratado alcançado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015.

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Caso o tratado chegue ao fim, o acordo entre as potências que o negociaram será anulado e as tensões no Oriente Médio poderiam piorar. No último mês, o presidente do Irã, Hassan Rouani, chegou a afirmar que o acordo nuclear não pode ser renegociado. No mesmo sentido, o embaixador francês Gerard Araud sublinhou que as outras potências que assinaram o pacto não apoiam que ele seja renegociado.

A possibilidade de que Washington queira anular o acordo tem gerado preocupações em países que também assinaram o documento - como Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia. A preocupação vem principalmente devido ao desenvolvimento de armas nucleares pela Coreia do Norte./REUTERS e NYT

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