Leah Millis / AFP
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Em Riad, secretário de Estado americano fala com monarquia saudita sobre sumiço de jornalista

Arábia Saudita considera admitir que Jamal Khashoggi morreu durante um interrogatório que deu errado; os filhos dele pedem uma comissão ‘internacional, independente e imparcial’ para esclarecer o caso

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 06h26
Atualizado 16 de outubro de 2018 | 17h19

RIAD - O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se encontrou nesta terça-feira, 16, em Riad, com o rei Salman sobre o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi

Após conversar com o monarca, Pompeo se encontrou com o ministro de Relações Exteriores saudita, Adel al-Jubeir, e jantará com o príncipe Bin Salman. Ele ainda pode ir à Turquia.

Ao chegar ao aeroporto, Pompeo - que viajou à Arábia Saudita a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump -, foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir. “Determinar o que aconteceu com Jamal Khashoggi é algo muito importante para o presidente”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

Khashoggi, um cidadão saudita residente nos EUA que se tornou cada vez mais crítico ao poderoso príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, não é visto desde que entrou no consulado saudita em Istambul no dia 2 de outubro para resolver trâmites burocráticos referentes ao seu casamento com a cidadã turca Hatice Cengiz. Segundo a imprensa americana, a Arábia Saudita está considerando admitir que ele morreu durante um interrogatório que deu errado. 

Os filhos do jornalista pediram uma comissão "internacional, independente e imparcial" para esclarecer o caso do pai. "Nós pedimos a formação, de maneira urgente, de uma comissão internacional, independente e imparcial para investigar a verdade sobre o seu desaparecimento e as notícias contraditórias sobre sua morte", disseram os filhos de Khashoggi em um comunicado.

"Filhos do jornalista Jamal Khashoggi, seguimos com muita preocupação as notícias contraditórias sobre seu destino após perder a comunicação com ele há duas semanas", diz a nota. "A família agora está tentando superar a comoção e se unir" nestes "momentos difíceis, e se afastar da politização de seu caso".

Investigações

Autoridades turcas disseram acreditar que Khashoggi foi morto, uma alegação que a Arábia Saudita nega. Uma equipe de especialistas da polícia da Turquia e de promotores realizou uma ampla revista no consulado em Istambul, que durou cerca de oito horas. O grupo recolheu vestígios, principalmente na terra do jardim do local, declarou um responsável presente.

Segundo a emissora americana CNN, duas fontes afirmam que os sauditas estão preparando um relatório no qual reconhecerão que a morte de Khashoggi resultou de um interrogatório que deu errado durante um sequestro.

Uma fonte da CNN advertiu que o documento ainda está sendo preparado e pode mudar, enquanto outra fonte disse que provavelmente concluirá que a operação foi realizada sem autorização e que os envolvidos serão responsabilizados.

O Wall Street Journal, citando fontes próximas ao assunto, afirmou que o reino está ponderando se deve dizer que agentes mataram Khashoggi por engano durante um interrogatório. O jornal, assim como a CNN, alega que a declaração saudita não foi finalizada.

A alta comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, pediu, nesta terça-feira, que a Arábia Saudita e a Turquia revelem tudo que sabem sobre Jamal Khashoggi, e disse que Riad deve abrir mão da imunidade de suas dependências e autoridades diplomáticas.

Em comunicado, ela elogiou o acesso de investigadores ao consultado, apesar de um atraso de duas semanas, e pediu que autoridades dos dois países garantam que “nenhum obstáculo adicional seja colocado no caminho de uma investigação rápida, minuciosa, efetiva, imparcial e transparente”.

O destino de Khashoggi incomodou aliados ocidentais tradicionais de Washington e da Arábia Saudita. Trump disse na segunda-feira que conversou com o rei Salman, o qual negou veementemente o envolvimento do reino no desaparecimento do jornalista. "Me parece que talvez possam ter sido assassinos desonestos. Quem sabe?", disse o presidente, descrevendo a situação como "terrível". / AFP, EFE e REUTERS

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