Carolyn Kaster/Pool via REUTERS
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Secretário de Estado americano desiste de reunião com chanceler russo

Antony Blinken afirmou continuar aberto à diplomacia, mas exigiu que Moscou 'demonstre seriedade'

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 20h53

WASHINGTON - O diálogo entre Casa Branca e Kremlin ficou interditado com o desdobramento dos últimos acontecimentos no Leste Europeu. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, anunciou que não se reunirá nesta quarta-feira, 23, em Genebra com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, como previsto anteriormente. 

“Não faz sentido”, disse Blinken, sobre o encontro. “Continuamos abertos à diplomacia, mas Moscou precisa demonstrar seriedade”, afirmou o secretário de Estado.

A reunião tinha sido marcada no fim de semana, depois de uma intervenção pessoal do presidente francês, Emmanuel Macron, e do chanceler alemão, Olaf Scholz, junto a Putin, para amenizar as tensões na região. 

Depois de tentar negociar com o Kremlin um encontro entre autoridades americanas e russas, Macron viu Putin radicalizar suas posições e anunciar o reconhecimento de enclaves separatistas na Ucrânia. 

Mais tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que "a porta para a diplomacia ainda permanece aberta", mas afirmou que o momento não é "apropriado" para um encontro entre EUA e Rússia. Ela acrescentou que uma cúpula entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin, só havia sido considerada em princípio, "mas nunca houve planos específicos ou cronograma realmente em andamento para isso”.

Ameaça russa

Em Moscou, Putin deu uma entrevista coletiva na qual afirmou que o reconhecimento das repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk envolve também partes da província sob controle do Exército ucraniano. A decisão abre caminho para um confronto entre tropas russas e ucranianas, caso os separatistas requisitem apoio militar russo.

Apesar do risco, e do sinal verde do Parlamento russo para que isso ocorra, Putin disse que, no momento, não pretende cruzar a linha de cessar-fogo negociada nos Acordos de Minsk, em 2015. 

“Eu não disse que nossos soldados vão para lá agora (...) Vai depender, como dizem, da situação no terreno”, afirmou em entrevista coletiva. “A melhor solução para essa questão seria que as autoridades atualmente no poder em Kiev desistissem de ingressar na Otan por conta própria e se mantivessem na neutralidade".

Apesar do tom um pouco mais ameno que o do dia interior, o líder russo também considerou os Acordos de Minsk “extintos".

Antes de conversas com Blinken, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, disse que os países ocidentais deveriam intensificar o envio de armas para seu país, para ajudá-lo a resistir contra a Rússia. “Esta manhã, enviei uma carta ao secretário britânico das Relações Exteriores pedindo armas defensivas adicionais para a Ucrânia”, disse Kuleba, que cumpre agenda em Washington. /AFP

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