Mandel Ngan/Pool via AP
Mandel Ngan/Pool via AP

Secretário de Estado dos EUA diz que Otan usará a força no caso de uma agressão da Rússia na Ucrânia

Segundo Antony Blinken, porém, uma solução diplomática para a pressão militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia ainda é possível e é a primeira opção

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 15h59
Atualizado 07 de janeiro de 2022 | 16h25

WASHINGTON - O secretário de Estado americano, Antony Blinken, declarou nesta sexta-feira, 7, que uma solução diplomática para a pressão militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia ainda é possível e é a primeira opção, mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está se preparando para reagir com força à qualquer agressão russa. 

A declaração do chefe da diplomacia americana foi dada durante uma entrevista coletiva em Washington antes de do início da semana de negociações entre as potências ocidentais e Moscou. Blinken acusou o governo russo de estar alimentando as tensões com desinformação sobre a Ucrânia alegando que a ex-república soviética está ameaçando a Rússia e buscando provocar um conflito. 

Ainda nesta sexta-feira, mais cedo, o secretário geral da Otan, Jens Stoltenberg, considerou que o envio e concentração de militares russos na fronteira com a Ucrânia representa um risco real de conflito e a aliança deve se preparar para o fracasso dos esforços diplomáticos. 

"As ações agressivas da Rússia prejudicam seriamente a segurança na Europa", advertiu Stoltenberg após uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da organização. Ao mesmo tempo, Stoltenberg chamou a decisão de Moscou de participar de uma reunião do conselho da Otan-Rússia na quinta-feira de um sinal positivo. 

Na segunda-feira, a questão ucraniana vai estar no centro das discussões entre a Rússia e os EUA. A este respeito, o chefe da Otan alertou que "não haverá discussão sobre a segurança europeia sem europeus na mesa de negociações". Blinken já havia defendido que as negociações sobre a Ucrânia deveriam ter a participação do país. 

Washington e seus aliados acusam a Rússia de preparar uma invasão depois de reunir cerca de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia, uma ex-república soviética. 

Os países ocidentais estão tentando dissuadir Moscou de lançar um ataque contra seu vizinho, que desde 2014 luta contra separatistas pró-russos em duas regiões na fronteira  leste. O conflito eclodiu após a anexação da Crimeia pela Rússia e deixou mais de 13 mil mortos.

Stoltenberg alertou a Rússia sobre qualquer ação intempestiva contra a Ucrânia. "Se a Rússia decidir usar meios militares contra seu vizinho, estará sujeita a severas sanções econômicas e políticas", declarou.

No entanto, reiterou que a Otan não interviria militarmente, uma vez que a Ucrânia não é um de seus membros.  Mesmo assim, a organização transatlântica se prepara para reforçar sua presença militar no flanco oriental. "Temos capacidades significativas", disse Stoltenberg, lembrando que a aliança tem uma força de reação rápida de cerca de 40 mil soldados.

Casaquistão 

Na entrevista, Blinken ressaltou ainda que os EUA estão muito preocupados com o estado de emergência no Casaquistão e Washington tem dúvidas sobre o envio de tropas de segurança lideradas pela Rússia ao país, a pedido do presidente Kassym-Jomart Tokayev

"Parece-me que as autoridades e o governo do Casaquistão têm certamente a capacidade de lidar de forma adequada com os protestos, de forma a respeitar os direitos dos manifestantes e ao mesmo tempo manter a lei e a ordem. Por isso, não está claro por que eles sentem a necessidade de qualquer assistência externa. Estamos tentando aprender mais sobre isso ", disse Blinken a repórteres. 

Na avaliação do secretário de Estado, será muito difícil a retirada dos russos do país, após um pedido do líder local. "Uma lição da história recente é que, uma vez que os russos entram na casa de alguém, é muito difícil que eles saiam", afirmou o chefe da diplomacia americana. /REUTERS e AFP 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.