Colombian Presidency/Handout via Reuters
Colombian Presidency/Handout via Reuters

Secretário de Estado dos EUA pede a aliados que apoiem Guaidó para acabar com 'tirania' de Maduro

Pompeo condena a 'miséria infligida' por Maduro aos venezuelanos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 11h57

CARACAS - O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, convocou ontem os aliados dos EUA a continuar apoiando os esforços da Casa Branca e da oposição venezuelana para acabar com a “tirania” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Durante sua visita a Bogotá, primeira parada de uma viagem pela América Latina e no Caribe, Pompeo reiterou seu apoio aos opositores de Maduro, liderados por Juan Guaidó, com quem se encontrou em Bogotá ontem.

“O mundo deve continuar apoiando os esforços do povo venezuelano para voltar à democracia e acabar com a tirania de Maduro, que prejudica milhões de venezuelanos e afeta a Colômbia e toda a região”, afirmou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

“Espero que ações mais permanentes dos EUA continuem apoiando o presidente Guaidó e o povo venezuelano”, disse Pompeu após reunião com o autoproclamado presidente interino da Venezuela, que é reconhecido no cargo pelo governo americano e de mais de 50 países. Guaidó chegou no domingo a Bogotá desafiando a proibição de sair da Venezuela imposta pelas autoridades chavistas.

A reunião ocorre após Maduro dizer em entrevista ao Washington Post que está no controle da Venezuela e ter se declarado aberto a negociações diretas com os EUA para melhorar a relação bilateral. O governo de Donald Trump tem defendido um diálogo para a formação de um governo de transição na Venezuela que convoque eleições gerais até o final do ano. Mas sustenta que essas conversas devem começar por uma discussão da saída de Maduro. 

O secretário de Estado condenou a “miséria infligida” por Maduro. Desde que ele assumiu o poder, em 2013, a Venezuela passa por uma crise econômica, apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo. A situação levou 4,6 milhões de pessoas a deixar o país nos últimos anos, segundo a ONU. Do total, 1,6 milhão de venezuelanos foram para a Colômbia. 

Pompeo destacou o apoio da Colômbia na cruzada americana contra Maduro, cujo governo foi alvo de várias sanções econômicas, incluindo um embargo ao petróleo. “Fico alegre ao ver a cooperação nos mais altos níveis. Os cidadãos rechaçam o autoritarismo e exigem liberdade. A Colômbia tem sido chave nesta visão democrática” na região, afirmou Pompeo.

Apesar da crise política e econômica, dos esforços de Guaidó e das sanções de Washington, Maduro permanece no poder apoiado pelas forças de segurança, bem como por Cuba, Rússia e China.

Em 2019, Guaidó fracassou em sua intenção de depor Maduro, mesmo que afirme ter “tentado de tudo”. Sua popularidade caiu de 63% em janeiro para 38,9% em dezembro, segundo o instituto de pesquisa Datanalisis.

Antes do encontro com o opositor venezuelano, Pompeo se reuniu com o presidente da Colômbia, Iván Duque, com quem também participou de uma conferência regional sobre a luta contra o terrorismo. Na reunião com Pompeo, Duque pediu mais sanções contra a “tirania” da Venezuela por seu apoio a grupos “terroristas” colombianos em seu território.

O governo Duque denunciou insistentemente que os chefes rebeldes do ELN e dos dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão na Venezuela, com o suposto apoio de Maduro.

Considerado o último grupo rebelde ativo na Colômbia, o ELN realizou negociações de paz primeiro em Quito e depois em Havana com o Prêmio Nobel da Paz Juan Manuel Santos (2010-2018). Após sua chegada ao poder, Duque estabeleceu novas condições para continuar as fracassadas negociações.

 “Ressaltamos o que acabamos de ouvir do presidente  Duque. Nosso amigo e aliado Colômbia declarou o Hezbollah como uma organização terrorista. Espero que outras nações tomem medidas semelhantes contra esse grupo e outras organizações terroristas”, afirmou.

Pompeo pediu a outros países que mediante “designações livres” bloqueiem o financiamento do terrorismo e denunciem suspeitos nessas atividades.

“Os EUA fizeram sua parte para eliminar a ameaça dos representantes do Irã. Eliminamos Qassim Suleimani e fortalecemos nossa campanha de pressão máxima de sanções econômicas, isolamento diplomático e dissuasão estratégica. Os EUA estão entusiasmados ao ver como outras nações também enfrentam Hezbollah e outros grupos terroristas ", acrescentou.

Pompeo disse que nos últimos meses países latino-americanos como Argentina, Paraguai, Honduras, Guatemala, Peru e Brasil sancionaram ou detiveram militantes do Hezbollah ou de outros grupos considerados terroristas pelos EUA.

Por seu lado, Guaidó garantiu aos repórteres que a “ditadura venezuelana” não apenas protege o ELN, mas também “financia diretamente e indiretamente com o ouro venezuelano, que agora pode ser classificado como ouro de sangue”. / AFP e EFE

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