The Washington Post by David Burnett
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Secretário de Justiça americano compara confinamento por covid-19 com escravidão

Barr, um dos fiéis aliados do presidente Donald Trump, fez o comentário na quarta-feira, atacando as duras medidas de confinamento decretadas em alguns Estados, muitos deles sob liderança de governadores democratas

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 19h37

WASHINGTON - O secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, enfrentou duras críticas nesta quinta-feira, 17, após definir os confinamentos adotados para se evitar a disseminação da covid-19 como a "maior intrusão" nas liberdades civis americanas "desde a escravidão". 

Barr, um dos fiéis aliados do presidente Donald Trump, fez o comentário na quarta-feira, atacando as duras medidas de confinamento decretadas em alguns Estados, muitos deles sob liderança de governadores democratas. 

"Decretar um confinamento nacional, ordenando a ficar em casa, é como uma prisão domiciliar", declarou Barr durante uma apresentação na universidade conservadora de Hillsdale, em Michigan (no norte do país), de acordo com vídeos postados na internet. 

"Além da escravidão, que era um tipo diferente de restrição, essa é a maior intrusão às liberdades civis na história americana."

O veterano deputado da Câmara, James Clyburn, reprovou o comentário, chamando-o de "a coisa mais ridícula, estranha e horrível" que ele já ouviu. "É incrível que a autoridade da aplicação da lei nesse país compare a escravidão humana com o conselho de especialistas para salvar vidas", opinou Clyburn à CNN. "A escravidão não era sobre salvar vidas, mas desvalorizá-las", ressaltou. 

O Partido Democrata se referiu à declaração de Barr como um de seus muitos "comentários inaceitáveis". 

Os Estados Unidos têm o maior número de mortes no mundo causadas pelo novo coronavírus, com quase 200 mil vítimas.

Trump, que concorre a um segundo mandato nas eleições de 3 de novembro e enfrenta o candidato democrata Joe Biden, expressou ceticismo sobre as práticas de confinamento na luta contra o vírus, argumentando que a economia pagou um alto preço pelas medidas.

Muitos Estados, principalmente no sul, começaram a flexibilizar as práticas ainda na primavera, antes de serem forçados a reconsiderá-las devido ao ressurgimento de casos.

Grupos de defesa dos direitos civis no país condenaram duramente os comentários do secretário. "Esse comentário é outro grande exemplo da ignorância no nível mais alto do governo", disse Marc Banks, um porta-voz do NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na sigla em inglês). 

“Nem por nenhum segundo da imaginação alguém deveria comparar uma pandemia evitável por funcionários do governo com a escravidão de décadas que pode ser vista e sentida na comunidade negra hoje”, acrescentou. “Pensar que os dois são até mesmo equivalentes põe em questão sua compreensão da história e dos males arraigados que ela colocou sobre este país.”/AFP e NYT 

 

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