Chip Somodevilla/EFE
Chip Somodevilla/EFE

Secretário de Justiça americano defende repressão aos protestos em Portland 

Em uma audiência na Comissão de Justiça da Câmara, Barr rejeitou acusações da oposição democrata de que o governo Trump está sufocando protestos pacíficos contra o racismo e a brutalidade policial

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 18h54

WASHINGTON - O secretário de Justiça americano, William Barr, defendeu energicamente nesta terça-feira, 28, o envio de agentes federais para reprimir os protestos em Portland, e recusou as acusações de que busca impulsionar as chances de reeleição do presidente Donald Trump

Em uma audiência na Comissão de Justiça da Câmara, Barr rejeitou acusações da oposição democrata de que o governo Trump está sufocando protestos pacíficos contra o racismo e a brutalidade policial, chamando as manifestações de Portland de "um ataque ao governo de Estados Unidos". 

Ele também rejeitou as acusações de que busca favorecer Trump politicamente - que tem como objetivo ser reeleito em 3 de novembro -, dizendo que sua missão é "retificar o Estado de Direito", mesmo quando isso significa propor uma sentença mais leve de prisão para o consultor político de Trump Roger Stone

"Depois da morte de George Floyd, manifestantes violentos e anarquistas fizeram protestos legítimos para causar estragos e destruição sem justificativa a vítimas inocentes", argumentou Barr. 

A morte do afro-americano, asfixiado por um policial branco em Minneapolis, provocou grandes protestos antirracistas nos EUA, assim como inúmeros pedidos por uma reforma policial. As manifestações acabaram por se enfraquecer consideravelmente, mas ainda há protestos ocorrendo no país, principalmente em Portland, uma cidade mais progressista, governada por democratas.

"Aceitar tacitamente a destruição e a anarquia é abandonar os princípios básicos do Estado de Direito que deveriam nos unir em um momento de divisão política", ressaltou Barr.

A audiência marca o primeiro depoimento de Barr à Comissão de Justiça da Câmara desde que assumiu o cargo, em fevereiro de 2019. Na semana passada, o órgão interno de supervisão do próprio departamento iniciou investigações sobre o envolvimento federal nos protestos de Portland e de Washington.

No mês passado, a Comissão de Justiça da Câmara iniciou um inquérito amplo para determinar se o Departamento de Justiça se tornou excessivamente politizado. O deputado democrata Steve Cohen disse na audiência que apresentou uma resolução para investigar Barr e averiguar se ele deve ser afastado.

'Estado policial'

O democrata Jerry Nadler, presidente da Comissão, criticou, no entanto, os departamentos de Justiça e de Segurança Interna por enviarem esquadrões paramilitares a Portland, que entraram em conflito com manifestantes e prenderam dezenas de pessoas.

"Como nação, estamos testemunhando como o governo federal se volta violentamente contra seu próprio povo", disse Nadler. 

O governo Trump enviou este mês agentes armados para Portland, muitos deles com equipamentos de combate, depois de semanas de protestos contra a polícia e o governo, que resultaram em pichações e janelas quebradas do Tribunal de Justiça e em vários outros edifícios. 

Os democratas defendem que essa intervenção representa o "estado policial" e que é uma manobra política mostrar aos eleitores Trump como um presidente que segue a lei e ordem estritamente. 

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Mas os protestos em Portland se tornaram maiores desde a chegada dos agentes federais, e autoridades locais e do Estado do Oregon acusaram Barr de uma reação exagerada, o que piorou uma situação que poderia ser resolvida. 

"O presidente quer imagens para seus anúncios de campanha, e parece que estão sendo entregues conforme solicitado", informou Nadler, um dos vários democratas que questionou Barr sobre seu histórico de 17 meses como secretário da Justiça. 

Barr respondeu em seu depoimento que é seu trabalho proteger a propriedade e os meios de subsistência afetados pelos manifestantes. 

"Não há lugar neste país para multidões armadas que busquem estabelecer zonas autônomas fora do controle do governo, ou demolir estátuas e monumentos que as comunidades cumpridoras da lei escolheram levantar, ou destruir a propriedade e os meios de subsistência de empresários inocentes", ressaltou. "A responsabilidade mais básica do governo é garantir o Estado de Direito."

Questionado pela deputada democrata negra Sheila Jackson Lee, Barr também minimizou as acusações de discriminação racial abrangente no policiamento do país.

O caso Stone

Barr também afastou as acusações de ter agido a favor de Stone quando ele solicitou a simplificação de sua sentença, acusado de mentir ao Congresso e manipular testemunhas. 

Stone foi condenado a 40 meses de prisão em fevereiro, muito menos do que os sete a nove anos solicitados pelos promotores do Departamento de Justiça no caso. 

Em 10 de julho, Trump, que havia criticado a acusação de Stone antes de que ele recebesse a sentença, a comutou. Barr insistiu em que o pedido original de sentença era excessivo para o caso Stone./AFP e REUTERS 

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