Secretário do Interior dos EUA faz fortes críticas à BP

O secretário do Interior do governo dos Estados Unidos, Ken Salazar, disse neste domingo (23) que está frustrado que a petrolífera British Petroleum (BP) tenha perdido "prazo após prazo", enquanto tenta interromper um enorme vazamento de petróleo no Golfo do México. Salazar disse que não confia mais "completamente" na habilidade da gigante do petróleo em resolver o problema.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

23 Maio 2010 | 19h47

"Eu estou com raiva", disse Salazar numa coletiva de imprensa, em frente ao escritório da BP em Houston (Texas). "Eu não tenho dúvidas de que a BP está lançando mão de tudo para tentar resolver o problema, porque essa é uma crise existencial para uma das maiores petrolíferas do mundo", disse Salazar. "Eu tenho confiança de que eles sabem exatamente o que estão fazendo? Não, não completamente", disse Salazar.

O secretário acrescentou que o governo norte-americano está pronto a "afastar a BP do caminho" se acreditar que a empresa não está fazendo "o que ela deveria estar fazendo". "A BP, desde o primeiro dia, não completou a missão que deveria cumprir".

A BP tem sido cada vez mais criticada por não fornecer uma estimativa acurada sobre quanto petróleo está vazando do poço de Macondo, em águas profundas no Golfo do México. O vazamento começou em 20 de abril após a explosão de uma plataforma de petróleo, a qual matou 11 trabalhadores. O poço era perfurado pela Transocean Ltd., uma subcontratada da BP.

Salazar disse que a "mais mortífera" opção para conter o vazamento, a qual seria a BP usar fluidos pesados na perfuração, para parar o vazamento, ainda é "uma opção de escolha". Ele disse que a BP poderá usá-la no começo desta semana. Se nem essa opção funcionar, o governo dos EUA está se preparando "para o pior cenário possível", disse Salazar.

Antes da coletiva, Salazar teve uma reunião com executivos da BP no Texas. O executivo-chefe da BP, Tony Hayward, reconheceu a frustração com o fracasso da empresa em conter o vazamento e alertou os empregados que o sucesso da opção "mais mortífera" para conter o vazamento não é garantido, uma vez que o procedimento pode ser conduzido numa profundidade marítima na qual nunca foi antes.

A quantidade de petróleo que a BP está retirando do Golfo caiu para 1.360 barris diários neste domingo, de cerca de 2.200 barris diários, disse um porta-voz da BP. As informações são da Dow Jones.

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